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Por Redação O Sul | 13 de fevereiro de 2020
O prefeito Nelson Marchezan Júnior recebeu, na tarde desta quinta-feira (13), no Salão Nobre do Paço Municipal, integrantes da Granpal (Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre) para discutir o futuro do transporte público na Capital e região.
O encontro foi sugerido por Marchezan, que apresentou o projeto Transporte Cidadão, um conjunto de medidas propostas pelo Executivo para reduzir o valor da passagem de ônibus. Hoje, a tarifa em Porto Alegre é de R$ 4,70 e pode chegar a R$ 5,20.
Marchezan disse que, desde que assumiu a gestão, em 2017, o transporte público é debatido e enfrentado, sempre, com profundidade. “O Executivo fez o maior número de propostas das últimas décadas ao transporte. Agora, queremos uma manifestação da Câmara Municipal, pois, se não fizermos algo concreto, os valores serão muito injustos e impagáveis pelos mais pobres”, argumenta.
O prefeito reafirma que está aberto para receber outras ideias. “Esta não é uma questão eleitoral, e não temos a intenção de fazer mal a ninguém. Nossa proposta é coerente, com alternativas lógicas, racionais e viáveis”, completa.
No final de janeiro, a Prefeitura de Porto Alegre apresentou ao Legislativo projeto que prevê redução do valor da tarifa em R$ 1,00 já neste ano. Para 2021, seria possível oferecer passe livre para todo trabalhador formal, passagem de no máximo R$ 2,00 para o cidadão em geral, passe estudantil a R$ 1,00 e diminuição do custo para o empregador, que paga o vale-transporte. Atualmente, a passagem da Capital não conta com nenhum subsídio. Para 2020, as empresas pediram um aumento de R$ 0,50, que está sob análise técnica.
Apoio
O presidente da Granpal e prefeito de Cachoeirinha, Miki Breier, parabenizou Marchezan pela disponibilidade em ouvir os prefeitos vizinhos e, principalmente, pela coragem de trazer o assunto para o debate.
Breier afirmou que a entidade concorda com a prefeitura sobre a necessidade de criar uma tarifa para os aplicativos. “A mobilidade urbana é uma preocupação de todos e, na próxima reunião da associação, vamos propor uma discussão mais técnica sobre o assunto. Precisamos avançar neste tema. Somos contrários ao pedágio para quem não mora em Porto Alegre, porque esta é uma medida que iria onerar o cidadão”, observou.
Marchezan contrapôs afirmando que o valor de R$ 4,70 corresponde a um litro de gasolina. “Será que quem vem a Porto Alegre usar nosso sistema viário não pode fazer essa contribuição para melhorar o sistema de transporte público da cidade?”, questionou.
Além de não contar com ajuda de custo no sistema, a capital gaúcha arca com uma série de fatores que transformam a passagem em uma das mais caras do País. No caso da mão de obra, que ocupa metade dos custos da tarifa, o salário pago a motoristas e cobradores chega a ser até 29% superior à média nacional. Esta diferença impacta em R$ 0,40 no valor pago pelo cidadão.
Porto Alegre também aparece nas primeiras posições do ranking quando se fala em isenções da tarifa. Enquanto a média nacional é de 22%, na Capital 30% de usuários não pagam para utilizar o sistema.
São 285 mil pessoas por dia custeando a passagem para 124 mil gratuidades. Se esta equação for equiparada ao restante do país, o impacto na passagem seria de R$ 0,55 no valor final. Porto Alegre oferece a segunda maior frota com ar-condicionado e metade dos veículos com motor traseiro e suspensão a ar. Esses diferenciais somam R$ 0,15 no valor final da passagem.
Melhora do sistema
O secretário municipal extraordinário de Mobilidade Urbana, Rodrigo Tortoriello, explica que, entre as ações adotadas para conter o aumento e melhorar o sistema de transporte público, está a racionalização das linhas de ônibus, que evitou o acréscimo de R$ 0,49 na tarifa.
Já a diminuição de 50% do desconto na gratuidade da segunda passagem evitou que mais R$ 0,20 fossem somados, e a adequação da isenção para idosos à legislação federal impediu um aumento extra de R$ 0,05. Nessa quarta-feira, 12, o prefeito sugeriu à ATP (Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre) que não conceda aumentos salariais em 2020 para não impactar no cálculo da tarifa.
Desde 2017, a gestão do prefeito Marchezan vem implementando várias iniciativas de modernização para atrair novos passageiros. Uma delas é o GPS em 100% da frota de ônibus.
A prefeitura trabalha também na ampliação das faixas exclusivas para os coletivos, que devem ganhar mais 22 quilômetros e beneficiar diariamente 450 mil usuários, diminuir o tempo de deslocamento e reduzir o consumo de combustível.
Além disso, o Município lançou o app do cartão TRI, que possibilita a localização em tempo real dos ônibus e facilita a recarga, com possibilidade de pagamento com cartão de crédito; implantou o reconhecimento facial em 100% da frota; e viabilizou novos mecanismos de segurança e proteção ao passageiro e aos trabalhadores do transporte coletivo, o que ajudou a reduzir em 78% os assaltos a ônibus.