Terça-feira, 05 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de setembro de 2018
O candidato do MDB à Presidência, Henrique Meirelles, disse nessa quarta-feira que não pretende fazer nomeações antes da hora. A afirmação foi feita na sabatina promovida pelo jornal “O Estado de São Paulo” e pela universidade Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), ao ser questionado se levaria o presidente Michel Temer a um cargo de ministro, garantindo a ele foro privilegiado.
“Eu não faço nomeações nem assumo cargo nenhum antes da hora. Não quero tomar nenhuma decisão sobre alguma coisa que não se aplica”, disse Meirelles, cujas intenções de voto na última pesquisa do instituto Datafolha apontam um índice de apenas 1%.
Apesar de se esquivar da pergunta, o candidato sinalizou um posicionamento mencionando que durante sua gestão no Banco Central não houve nenhum diretor que tivesse sofrido investigação e processo. “Esse é um dos meus critérios”, fez questão de ressaltar. “A minha escolha é aquela em que a justiça prevalece.”
Como de costume, o candidato do MDB também foi questionado sobre como passou tanto tempo, nos oito anos de gestão do BC do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e depois no Ministério da Fazenda de Michel Temer, sem conhecer os casos de corrupção posteriormente investigados envolvendo membros do alto escalão federal.
Em relação a esse tema, ele respondeu que o BC (Banco Central) é uma instituição independente: “Na minha área nunca houve problema e eu respondo por aquilo que tenho controle”.
Meirelles também foi instado por jornalistas a responder sobre sua participação no conselho da J&F, dos empresários Joesley e Wesley Batista, que no ano passado fecharam acordo de delação premiada com o MPF (Ministério Público Federal).
Ele repetiu a justificativa que vem dando sempre que lhe é feita a mesma pergunta. Ele listou outras instituições pelas quais também passou em sua carreira e exaltou seu projeto de criação de um banco digital para o Banco Original, instituição financeira da holding J&F, controladora do conglomerado frigorífico JBS/Friboi.
Bolsonaro
Durante a sabatina, ele também criticou a política de armas do concorrente Jair Bolsonaro (PSL). Ilustrou com exemplos hipotéticos e usou a expressão “pregar bala”:
“Imagine que duas pessoas na fila do ônibus tenham um desentendimento qualquer. Cada um com um revólver na cintura, isso aí vai dar tragédia. Aí dizem que vai servir para matar o bandido, mas quem vai fazer o julgamento, a investigação?”.
“Eu posso olhar para a cara daquele camarada e dizer que ele é suspeito. Ou vice versa, pode olhar para mim e pensar isso também”, brincou Meirelles apontando uma pessoa na plateia. Para o candidato do MDB, atualmente, a polícia e os governos abdicam de uma de suas funções básicas, que é a de garantir a segurança.
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