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Brasil O presidente da Caixa Econômica Federal tinha uma “meta mensal” de propina, disse o doleiro Lúcio Funaro

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Por meio de assessoria, Occhi negou "veementemente" declaração de Funaro. (Foto: Alan Santos/PR)

O doleiro Lúcio Funaro afirmou em seu acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) que o atual presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, tinha, à época em que ocupava a vice-presidência de governo da instituição pública, uma “meta mensal” de propina para “produzir” e distribuir a políticos do PP (Partido Progressista).

Funaro contou à PGR que soube da meta de Occhi por meio do empresário Silmar Bertin – dono do grupo Bertin – que chegou a ser alvo da Lava-Jato por suspeita de ser sócio dos filhos do pecuarista José Carlos Bumlai em uma empresa que teria conseguido um empréstimo de R$ 104 milhões no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) quando a empresa estava inativa e com sete funcionários.

De acordo com o doleiro, Occhi informou em uma conversa com Bertin que tinha essa meta de propina para cumprir.

Por meio de sua assessoria, Gilberto Occhi informou que “desmente veementemente” o que foi dito por Lúcio Funaro em relação a sua pessoa. O presidente da Caixa acrescentou ainda que “nunca pediu nada a ninguém” e que sua longa carreira como empregado do banco e em outros cargos públicos “sempre foi pautada pelo respeito à ética e à lei”.

Servidor de carreira da Caixa, Occhi comandou o posto de vice-presidente do banco público entre 2013 e 2014, no governo Dilma Rousseff, apadrinhado pelo PP. Ele também comandou o Ministério da Integração Nacional e das Cidades em cotas reservadas ao Partido Progressista.
Funaro disse aos procuradores da República que, na avaliação dele, Occhi também foi “apadrinhado” pelo PP para a presidência da Caixa, já no governo Michel Temer.

Segundo o delator, Gilberto Occhi recebeu dos caciques do PP uma “meta” de valores para angariar todos os meses e distribuir ao partido que garantia sua sustentação na cúpula do banco público. O doleiro, entretanto, não soube informar quanto era arrecadado nem mesmo os nomes dos beneficiários do dinheiro dentro do Partido Progressista.

“Sabia até que tinha uma meta do Gilberto Occhi de produzir por mês, um valor ‘x’ por mês, para ser distribuído entre os membros do PP. Não sei para quais membros, mas ele tinha essa meta”, afirmou Funaro.

O novo delator da Operação Lava-Jato explicou aos procuradores da República que verbas da Caixa ligadas ao BNDES e a fundos regionais, como FCO e Finor, passaram pela área de governo do banco estatal.

Funaro: Ele [Occhi] tinha uma meta para cumprir lá, que eu não sei de quanto era a meta que o pessoal exigia dele.

Investigadora: Meta de valores ilícitos?

Funaro: Ilícito, propina.

Investigador: Seu conhecimento era que Gilberto Occhi arrecadava propinas para o partido?

Funaro: Exatamente, exatamente.

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