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Mundo O presidente dos EUA ligou para o líder russo garantindo a extensão do Novo Start, o tratado que limita os arsenais atômicos dos dois países e estava ameaçado por Trump

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Os presidentes Biden (E) e Putin expressaram sua satisfação pela troca de notas diplomáticas. (Foto: Reprodução)

O presidente americano, Joe Biden, conversou com o líder russo Vladimir Putin, no primeiro telefonema entre os dois desde a posse do novo chefe de Estado americano, no dia 20. No ponto mais importante da fala, eles se comprometeram com a extensão do Novo Start, o tratado que limita o número de armas nucleares nos dois países. O acordo expira no dia 5 de fevereiro, e agora deve ser válido por mais cinco anos.

“Os presidentes expressaram sua satisfação pela troca de notas diplomáticas revelada hoje (terça-feira) sobre um acordo para a extensão do Tratado sobre Armas Estratégicas Ofensivas (Novo Start)”, declarou a nota divulgada pelo Kremlin. O texto ainda afirma que “nos próximos dias” serão acertados os detalhes para o que o governo russo chamou de “importante mecanismo jurídico internacional para limitar mutuamente os arsenais nucleares”.

O pacto limita a 1.500 de cada lado o número de armas atômicas instaladas. Segundo o Parlamento russo, o projeto para a extensão do acordo já foi apresentado pelo Kremlin. As negociações ficaram paradas no final do governo de Donald Trump pela insistência do republicano em incluir a China, cujo arsenal nuclear estimado é bem menor do que os americano e russo.

Na conversa, Putin ainda defendeu a normalização das relações entre EUA e Rússia, algo que, para ele, seria benéfico para os dois lados, contribuindo para a manutenção da “segurança e estabilidade” no mundo. O líder russo mencionou ainda a saída dos EUA do Tratado de Céus Abertos, um acordo mais amplo de monitoramento militar abandonado por Donald Trump, e sobre a situação dos EUA no acordo sobre o programa nuclear iraniano, igualmente deixado de lado pelo agora ex-presidente.

Por outro lado, Biden foi um pouco menos amistoso. Na conversa, deixou clara sua preocupação com as acusações de que o Kremlin teria envenenado o líder opositor Alexey Navalni, preso há mais de uma semana em Moscou, logo depois de chegar da Alemanha, onde recebeu tratamento médico. Outro ponto sensível foi a declaração de Biden a favor da “soberania da Ucrânia”, relacionada à interferência russa na guerra no Leste do país e à anexação da península da Crimeia, concretizada em 2014.

Segundo a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, a pauta incluiu ainda a repressão aos manifestantes que foram às ruas de mais de 100 cidades russas no domingo, quando mais de 3 mil pessoas foram presas, as acusações de que o Kremlin havia oferecido uma recompensa aos talibãs pela morte soldados americanos no Afeganistão e, por fim, as alegadas interferências de Moscou em eleições nos EUA e participação em ciberataques.

“O presidente Joe Biden deixou claro que os EUA agirão firmemente na defesa de seus interesses nacionais em resposta a ações da Rússia que prejudiquem nossos aliados”, declarou comunicado da Casa Branca sobre a conversa.

Desde a campanha, Joe Biden sinaliza que pretende endurecer as relações com Moscou, apontando o país como uma das principais ameaças estratégicas aos EUA. Durante sabatina no Senado, na semana passada, o novo secretário de Estado, Anthony Blinken, afirmou que buscaria a extensão por cinco anos do Novo Start, mas também que aumentaria a pressão sobre as ações do governo russo, em especial as relacionadas aos direitos humanos. Ele chegou a citar a prisão de Navalny, e questionou quais seriam os motivos para, segundo ele, “Putin ter tanto medo” do opositor.

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