BrasilO presidente Michel Temer é pressionado a diminuir o espaço do PSDB em seus ministérios
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Redação O Sul
| 6 de outubro de 2017
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Temer em visita à Assembléia de Deus nesta sexta, em Belém. (Foto: Marcos Corrêa/PR)
O PSDB gostaria de se distanciar do governo, mas não teve como evitar a permanência de Bonifácio de Andrade (MG) na relatoria. Já líderes da base e dos principais partidos do “centrão” já avisaram ao presidente Michel Temer que não despacham mais com o ministro da articulação política, Antonio Imbassahy, do PSDB.
Alguns parlamentares já estavam há meses sem falar com o ministro, mas agora oficializaram a atitude para o presidente. “Nem lembro mais há quanto tempo não despacho com ele, já faz de três a quatro meses. Imbassahy vem atrapalhando o governo”, afirmou o líder do PP na Câmara dos Deputados, Arthur Lira (AL).
Líderes reclamam que o ministro não recebe e nem resolve problemas de parlamentares junto ao governo. “Eu não trato e nunca tratei com Imbassahy, o que tenho que tratar sobre governo vejo com os líderes André Moura e Aguinaldo Ribeiro”, constatou o líder do PTB, Jovair Arantes (GO).
Lideranças do PR e do PRB também não despacham mais com o ministro. Diante do impasse, a solução encontrada pelo Planalto foi concentrar a articulação política, na véspera da denúncia, nas mãos do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.
Apesar da mudança, Temer não deve fazer alterações ministeriais por enquanto. Com isso, Imbasahy continua no cargo, mas com poder restrito. “O governo não vai tirar Imbassahy, porque ele ainda tem interlocução com parte do PSDB e do DEM”, diz um líder governista.
Sabe-se agora que o deputado Bonifácio de Andrada (MG) confidenciou que teria dificuldade em abrir mão da relatoria porque o próprio presidente Michel Temer teria feito um apelo para ele aceitar a função. Esse argumento foi externado para cardeais tucanos logo depois que Andrada foi escolhido para relatar a segunda denúncia contra Temer. Ao longo dos últimos dias, com o agravamento do impasse, Bonifácio passou a dar outra versão para os mesmos cardeais do PSDB.
Ao perceber a forte reação da bancada, argumentou que tinha sido uma decisão pessoal, já que seria sua última grande missão na Câmara dos Deputados, pois, aos 87 anos, não deve mais concorrer para a renovação do mandato.
Procurado, Bonifácio de Andrada negou que tenha se encontrado recentemente com Temer e tratado desse tema. “Estou atendendo ao pedido do presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco”, desconversou Andrada.
O presidente do PSDB, Tasso Jereissati, afirmou que a sigla deu “quinhentas opções” para Bonifácio de Andrada antes de tirar o deputado tucano da vaga do partido na CCJ (Comissão e Constituição e Justiça) da Câmara.
Andrada foi escolhido pelo presidente da CCJ para ser o relator da segunda denúncia contra Michel Temer. Mas, diante da divisão dentro do partido, o PSDB decidiu tirá-lo da vaga na comissão, e agora Andrada deverá ocupar o espaço de outro partido na CCJ.
“Não é decisão contrária ao governo. É contrária a uma divisão dentro do PSDB. Foi a opção escolhida por Bonifácio. Demos quinhentas sugestões diferentes e a opção dele foi essa”, afirmou Jereissati. O presidente tucano disse também que Andrada deverá continuar como relator da denúncia.
“Ele faz o relatório, mas não na vaga do PSDB, porque não tem consenso sobre o assunto dentro do partido. O relatório sendo a favor ou contra, vai desagradar metade da bancada. Agora a bola está com o presidente da CCJ. Tem partidos enormes lá, como PMDB, do presidente, que podem liberar uma cadeira para Bonifácio continuar relator. Vaga, ele tem”, completou Jereissati.
O governo já vem falando nos bastidores que tem muitas cadeiras disponíveis para que Bonifácio de Andrada continue na relatoria. Ele votou pelo arquivamento da primeira denúncia contra o presidente Michel Temer no plenário. Tasso Jereissati ressaltou que a decisão de tirar o relator, mesmo contra a vontade do governo, não é um sinal que o partido está contra Temer.
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