Quarta-feira, 17 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 15 de abril de 2026
O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, anunciou a demissão do presidente do INSS, Gilberto Waller, após apenas 11 meses no cargo. Waller assumiu o posto no ano passado como resposta às investigações do escândalo de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, mas se desgastou por causa do tamanho da chamada fila do INSS e seu impacto eleitoral negativo para o governo. Além disso, desde o ano passado havia desavenças entre ele e o ministro. No lugar de Waller assume Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira que ocupava o cargo de secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência.
O Planalto teme o impacto da fila do INSS sobre a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em 2022 prometeu zerá-la. Um mês antes de ele assumir a Presidência da República para seu terceiro mandato, o estoque de requerimentos pendentes era de cerca de 1,087 milhão.
Dois anos depois, o número já estava em mais de 2 milhões. Em fevereiro deste ano, chegou a 3,1 milhões, segundo o Boletim Estatístico da Previdência. Ou seja, entre o fim de 2022 e o início de 2026 a fila praticamente triplicou.
A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, apresentou o problema ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concordou com a troca.
Waller foi avisado da demissão pelo secretário-executivo do Ministério da Previdência, Felipe Cavalcante e Silva. Logo depois, o INSS publicou nota informando que 1,625 milhão de processos foram concluídos em março, um recorde, e a fila caiu para 2,79 milhões. Quando Waller assumiu, estava em 2,56 milhões.
Em entrevista, o ministro da Previdência confirmou que a fila do INSS foi o motivo da demissão.
“Não teve uma gota d’água (para a demissão), teve só uma mudança de momento. Ele fez um bom trabalho, melhorou fluxos e processos no período atribulado. Só que ele não atacou o problema central da fila. A fila estava escalando, estava aumentando, sem controle”, afirmou Wolney Queiroz.
Desde novembro do ano passado, o Planalto já estava incomodado com o aumento da fila. Naquela época, o governo sentia certo alívio por ter conseguido devolver para a maioria dos beneficiários os descontos indevidos para associações e entidades sindicais. Waller assumiu o INSS em abril de 2025, logo após a operação da Polícia Federal que descobriu as fraudes contra os aposentados.
Na Previdência, ele era visto mais como um auditor do que como gestor, já que ele é procurador federal de carreira com passagens pela Controladoria-Geral da União e a Advocacia-Geral da União (AGU).
“Superada a crise dos descontos associativos, o INSS entra em um novo momento, focado na gestão. A autarquia se debruça agora em uma nova fase da análise de processos para a concessão de benefícios”, disse o ministro.
O ministro observou que a indicação de um servidor de carreira para a presidência do INSS é um pleito antigo dos servidores. Destacou ainda a decisão do presidente Lula de indicar uma mulher para um vaga:
“Com a chegada de Ana Cristina, atendemos a um anseio dos servidores do INSS de reconhecer e colocar, no comando da autarquia, uma profissional de carreira do Instituto. Mais uma mulher em um posto de comando dentro do nosso governo”, disse Queiroz, destacando que a nova presidente ingressou no órgão em 2003 e chefiou o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos.
A crise entre Queiroz e Waller ganhou força ainda no ano passado e ia além da fila. Em ofício ao ministro, o então presidente do INSS pediu a demissão da vice-presidente do órgão, a diretora de Tecnologia da Informação, Léa Bressy Amorim, servidora de carreira.
Waller argumentou que o cargo era estratégico e que a servidora tinha “notória proximidade” de Alessandro Stefanutto, ex-presidente do órgão demitido do cargo e preso no desdobramento da operação da PF que apura fraudes contra os aposentados por associações e entidades sindicais.
Queiroz respondeu com outro ofício ao presidente do INSS, dizendo que as alegações eram “genéricas, sem qualquer indicação de irregularidade” e não constituíam motivos para a exoneração da servidora.
O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, disse que a troca no comando do INSS já estava prevista porque a passagem de Waller deveria ser temporária. Segundo o chefe da Secom, a decisão da troca partiu do Ministério da Previdência Social.
Para tentar destravar a concessão de benefícios e acelerar a redução da fila, o INSS adotou recentemente algumas mudanças operacionais, como a ampliação do prazo do Atestmed, sistema que permite a concessão de auxílio por incapacidade temporária por análise documental, de 60 para até 90 dias.
Além disso, a Previdência passou a ampliar o uso da análise documental em outros tipos de benefício, como no auxílio por acidente de trabalho quando há sequelas já comprovadas.
Apesar das iniciativas, integrantes do Ministério da Previdência avaliam que os resultados deixaram a desejar, o que contribuiu para a mudança no comando do INSS. A expectativa agora, com a nomeação de um perfil técnico para liderar o órgão, é “destravar” a máquina e acelerar de forma mais consistente a queda da fila. As informações são do jornal O Globo.
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