Segunda-feira, 21 de Setembro de 2020

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Notícias O Rio Grande do Sul é vice-líder no ranking brasileiro de incidência da sífilis

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Infecção sexualmente transmissível é uma das mais comuns. (Foto: Reprodução)

Considerada uma epidemia no Brasil, a sífilis é uma das IST (infecções sexualmente transmissíveis) mais comuns no País. E o Rio Grande do Sul está em segundo lugar no ranking nacional. Os dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam uma taxa de ocorrência de 113,8 para cada 100 mil habitantes no Estado, quase o dobro da média brasileira (58 por 100 mil). E esse índice apresenta tendência de crescimento.

A situação é tão preocupante que foi escolhido como principal tema da 18ª Semana Estadual de Saúde Bucal e foi debatida no Seminário Manifestações Bucais das Infecções Sexualmente Transmissíveis – Sífilis e Aids, realizado nessa quinta-feira no Caff (Centro Administrativo Fernando Ferrari), em Porto Alegre.

Além deste seminário, promovido pela Coordenação Estadual de Saúde Bucal da SES (Secretaria Estadual da Saúde), a 18ª Semana Estadual de Saúde Bucal é marcada nesta sexta-feira por um encontro regional sobre o tema na Unisc (Universidade de Santa Cruz do Sul), voltado para dentistas da rede pública e acadêmicos de Odontologia.

De acordo com Fernanda Carvalho, da Coordenação Estadual de IST/Aids da pasta, trata-se de uma doença negligenciada, com consequências: “O ‘esquecimento’ em torno da prevenção e tratamento da sífilis está cobrando o seu preço em termos de estratégia de saúde pública”.

No Rio Grande do Sul, os problemas estão mais concentrados nas regiões Metropolitana, Missioneira, Norte, Sul e Serra, nesta ordem. Os casos de sífilis congênita (transmitida da mãe ao feto, por meio da placenta) também são considerados altos no Estado, que já é o terceiro no ranking nacional da modalidade, com quase 2 mil casos este ano.

“A Sífilis é uma doença antiga e estigmatizada, da qual a sociedade não quer falar, mas é necessário que se manifesta”, observa Fernanda, acrescentando que há cura com o tratamento, que é acessível do ponto-de-vista financeiro.

Especialista em estomatologia, o dentista Matheus Claudy concorda que é preciso romper com a cultura de não se falar sobre a questão: “Podemos fazer o teste rapidamente em uma UBS [Unidade Básica de Saúde], mas os pacientes relutam e é preciso mudar isto”. Ainda segundo ele, o diagnóstico precoce resulta em tratamento mais rápido e eficaz: “É uma doença fácil de tratar, por isto temos de acabar com o estigma”.

Apelo

À plateia, formada por cirurgiões-dentistas, auxiliares e técnicos em saúde bucal de municípios gaúchos, ele fez um apelo: “Nós, que atendemos na rede pública, peçamos o teste, é mais fácil começar por aí”. Fernanda Carvalho apoiou a manifestação e disse muitos profissionais investigam lesões, mas não costumam pedir testes de sífilis e HIV.

(Marcello Campos)

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