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Brasil O ritmo de aplicação da 1ª dose contra o coronavírus despenca no Brasil. Só 12,5% da população recebeu o imunizante até agora

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Doses excedentes são as doses que ficam disponíveis nos municípios após completar 90% da população estimada do público prioritário vigente. (Foto: Cristine Rochol/PMPA)

Até esta segunda-feira (19), 26.654.459 pessoas receberam a primeira dose no País. O número representa 12,59% da população. A segunda dose foi aplicada em 10.131.323 pessoas, o equivalente a 4,78% dos brasileiros.

O números indicam a diminuição preocupante do ritmo da imunização contra covid-19 no País, que tem registrado interrupções parciais ou totais da vacinação. Na semana passada, capitais interromperam a aplicação da primeira dose por falta de imunizantes.

Os números assustam especialistas que apontam que o Brasil teria condições de aplicar cerca de 1,5 milhão de doses por dia. Com a vacinação suspensa em algumas capitais e atraso na entrega de vacinas, cientistas apontam que falta imunizante para a campanha avançar.

“Falta de procura a gente não está vendo. Não é porque a população está desinteressada, em todo lugar está tendo fila”, diz Carla Domingues, coordenadora do PNI de 2011 a 2019.

Opinião semelhante tem a epidemiologista Ethel Maciel, professora titular da UFES, que aponta as dificuldades no acesso e na gestão das doses para 1ª e 2ª aplicação.

“A gente precisa ter cronogramas mais reais para os Estados e municípios para que haja planejamento. A falta de planejamento ou a dificuldade dos Estados em fazer esse planejamento gera uma demora porque você não sabe quantas doses você vai receber, se será necessário aumentar a equipe de enfermagem para poder vacinar mais gente, quantas doses estarão disponíveis”, diz a epidemiologista.

Números da queda

A aplicação da primeira dose do imunizante contra a covid no País está em queda desde 14 de abril, quando 523.208 pessoas receberam a primeira vacina.

Nas últimas 24 horas, a primeira dose foi aplicada em 474.205 pessoas e a segunda dose em 537.047, com um total de 1.011.252 doses aplicadas.

Segundo Ethel, a queda na vacinação pode ser resultado da falta de imunizantes no País, que prejudicou tanto quem iria tomar a primeira dose quanto a segunda.

“A gente imunizou pouco mais de 30% da população acima de 60 anos porque a gente não tem doses. É isso que está acontecendo na maioria dos Estados”, explica a epidemiologista.

Para ela, a ausência do insumos para a vacinação podem ser consequência do atraso na chegada ao País do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), matéria-prima para produção da CoronaVac. Somado a isso, a epidemiologista aponta a falta de planejamento e cronogramas reais para estados e municípios como um agravante.

“Alguns Estados não tinham armazenado vacina suficiente para a aplicação da segunda dose na população. Para que não ultrapasse o limite do intervalo, esses Estados estão usando as vacinas que recebem para completar a segunda dose.”

O intervalo entre as doses varia de acordo com o imunizante aplicado. No caso da CoronaVac, da Sinovac e Instituto Butantan, o tempo entre a primeira e a segunda dose é de 14 a 28 dias.

Já na AZD1222, de AstraZeneca, Universidade de Oxford e Fundação Oswaldo Cruz, o período de espera é de 3 meses.

Interrupção nas capitais

Nas últimas semanas, sete capitais interromperam a aplicação da 1ª dose da vacina contra covid-19 por falta de doses de imunizante: Curitiba, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Rio Branco e Salvador. A vacinação nessas capitais prosseguiu normalmente nesta segunda.

Em Natal, a vacinação ocorreu de forma restrita: os estoques de CoronaVac se esgotaram, mas a imunização segue com as doses disponível da vacina da AstraZeneca.

Em Belém, a aplicação da 1ª dose da vacina contra covid-19 está suspensa. A vacinação segue garantida para quem vai receber a 2ª dose.

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