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Brasil O senador Romero Jucá disse que o procurador-geral da República tem “fixação” por ele e pelo seu bigode

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Líder do governo no Senado foi alvo de terceira denúncia por corrupção. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Em entrevista concedida à imprensa nessa terça-feira, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que o titular da PGR (Procuradoria-Geral da República), Rodrigo Janot, tem uma “fixação” nele e, talvez, até um certo “fetiche” em seu bigode. Para o peemedebista, Janot “começou bem” na Procuradoria, mas deixará o cargo em 17 de setembro “de forma melancólica, lamentável e triste”.

Janot apresentou a terceira denúncia contra o peemedebista, no início desta semana, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Dessa vez, as acusações têm por base a delação de executivos da empreiteira Odebrecht. “Eu diria que ele tem, pelo menos, uma fixação. Ele até deu declaração sobre meu bigode, não sei se é um fetiche, se é alguma coisa. Portanto, eu diria que não entendo esse comportamento dele”, ironizou Jucá.

Na denúncia criminal contra o peemedebista (um dos principais articuladores políticos do governo) por suposta propina de 150 mil reais, Janot recorreu a um provérbio popular. “A palavra de um homem está no fio do bigode”, escreveu.

O senador de Roraima disse estar muito tranquilo, que não tem nada a dever e nada que o comprometa. “Eu confio na Justiça. Quem parece que não confia na Justiça é o senhor Rodrigo Janot”, questionou. Para Jucá, o procurador-geral apresentou a nova denúncia “açodadamente” e “intempestivamente”, uma vez que a investigação que baseia na denúncia ainda não foi concluída. “O processo está na Polícia Federal”, disse.

Jucá definiu, ainda, a postura de Janot como “lamentável”: “O doutor Rodrigo Janot começou bem, mas está tendo uma despedida melancólica, lamentável, triste. Acho que não dá para querer se transformar em justiceiro, passar por cima da Justiça e tentar fazer uma ação deliberadamente contra a política brasileira. Acho lamentável, mas respeito a posição dele”.

Denúncia

A terceira denúncia contra Jucá foi encaminhada ao STF pelo procurador-geral da República na tarde de segunda-feira. O ex-diretor de relações institucionais da empreiteira Cláudio Melo Filho associou uma doação de 150 mil reais destinada à campanha eleitoral do filho do senador, Rodrigo Jucá, ao trabalho de Jucá em benefício da empresa durante a tramitação das medidas provisórias 651/2014 e 656/2014, de interesse da construtora.

O senador do PMDB foi denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Já o delator da Odebrecht foi denunciado por corrupção ativa. O caso precisa ser submetido pelo relator da Operação Lava-Jato na Corte, ministro Luiz Edson Fachin, à análise da Segunda Turma, para que os membros do colegiado decidam se Jucá deve responder a uma ação penal.

“Não há dúvidas de que o sistema eleitoral foi utilizado para o pagamento disfarçado de vantagem indevida a partir de ajuste entre Romero Jucá e o executivo do Grupo Odebrecht Cláudio Melo Filho”, disse Rodrigo Janot sobre a atuação de Jucá.

No início da semana passada, o senador foi denunciado em investigação sobre a Operação Zelotes. Na sexta-feira, o peemedebista foi denunciado na Lava-Jato, ao lado do ex-presidente José Sarney (PMDB), do ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e dos senadores Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) e Valdir Raupp (PMDB-RO), por corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo desvios de recursos da estatal Transpetro.

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