Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020

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Brasil O Supremo envia o inquérito de Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação, por racismo para a Justiça Federal de Brasília, pois ele não tem mais foro privilegiado

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Weintraub satirizou o modo de falar dos chineses. (Foto: Gabriel Jabur/MEC/Divulgação)

O inquérito aberto no Supremo Tribuna Federal (STF) para investigar o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub por racismo foi remetido para a Justiça Federal do Distrito Federal, já que ele não tem mais foro privilegiado pelo cargo que ocupava até o mês passado. A decisão foi tomada pelo ministro Celso de Mello, relator do caso no STF. Ele acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Celso abriu o inquérito no fim de abril a pedido da PGR em razão das declarações do então ministro em sua conta no Twitter sobre a China. Weintraub satirizou o modo de falar dos chineses, o que provocou dura reação da embaixada da China no Brasil.

O ex-ministro da Educação insinuou que os chineses poderiam se beneficiar da crise decorrente do coronavírus e chegou a usar a forma de o personagem Cebolinha, de Maurício de Sousa, falar trocando o “r” pelo “l”, em uma referência ao sotaque de chineses que falam português. O embaixador da China, Yang Wanming, chamou Weintraub de racista, e o ministro acabou apagando a publicação.

A prática de ato considerado preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional é punível com reclusão de um a três anos e multa. Um agravante, o fato de realizar esse ato usando publicações em meios de comunicação, torna o crime punível com reclusão de dois a cinco anos.

Weintraub foi exonerado do cargo pelo presidente Jair Bolsonaro como uma forma de diminuir as tensões com os outros Poderes. O ex-ministro já chamou os integrantes do STF de vagabundos e defendeu até mesmo a prisão deles.

O ex-ministro da educação Abraham Weintraub desejou sucesso a Renato Feder, que pode ser oficializado no comando do Ministério da Educação. “Desejo sorte e sucesso ao novo ministro da Educação, Renato Feder, e ao presidente Jair Bolsonaro. Estarei sempre torcendo pelo bem do Brasil”, disse.

Banco mundial

A nomeação do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub para uma diretoria executiva do Banco Mundial, formalizada pelo presidente Jair Bolsonaro, poderá influenciar negativamente a atuação da instituição em projetos de combate a mudanças climáticas.

A análise é do economista Francisco H. G. Ferreira, que trabalhou no Banco Mundial por 24 anos e se desligou da instituição recentemente, quando ocupava a posição de diretor para políticas para o desenvolvimento. Ele assumirá em breve a direção do Instituto Internacional de Desigualdades da London School of Economics (LSE), no Reino Unido.

Em sua primeira entrevista após sair do Banco Mundial, Ferreira afirma à DW Brasil que Weintraub terá uma posição relevante na instituição, capaz de influir na direção estratégica do banco, e possivelmente fortalecerá o grupo de países céticos a respeito do aquecimento do planeta, como Estados Unidos, Austrália, Rússia e Arábia Saudita.

“Se ele fosse o único representante dessa linha de direita populista, seria embaraçoso para nós no Brasil, mas não necessariamente trágico para a instituição. Mas há outros países com membros do conselho que, ainda que não sejam tão retrógrados e extremos como o Weintraub, tendem na mesma direção”, afirma.

Devido à influência desse eixo de países, funcionários do Banco Mundial que trabalham com mudanças climáticas não têm sido mais autorizados a participar de fóruns internacionais e de declarações com outros organismos multilaterais, enfraquecendo o trabalho da instituição no tema.

Weintraub foi exonerado do comando do Ministério da Educação em 20 de junho, em um gesto do governo para buscar pacificação com os ministros do Supremo Tribunal Federal — os quais Weintraub havia chamado de “vagabundos” e manifestado o desejo de colocá-los “na cadeia”. Ele também é alvo de um inquérito na Corte que apura se o ex-ministro cometeu o crime de racismo contra chineses ao indicar em seu Twitter que a China poderia intencionalmente se beneficiar do coronavírus.

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