Terça-feira, 02 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 20 de novembro de 2018
Expulso do Paraguai, o traficante carioca Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, o Marcelo Piloto, chegou ao presídio federal de segurança máxima em Catanduvas, no Paraná, onde ficará isolado por pelo menos 20 dias, sem direito a visitas. Ele só terá permissão para conversar com advogados no parlatório e terá banho de sol de duas horas por dia. O isolamento é um procedimento do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) para presos que ingressam no sistema.
A expulsão foi uma decisão do presidente paraguaio Mario Abdo Benítez, um dia depois do assassinato da jovem argentina Lídia Meza, de 18 anos, durante visita ao narcotraficante no último sábado. A decisão, unilateral, não foi comunicada ao Brasil. A medida, entretanto, já vinha sendo estudada pelo governo do país vizinho.
A gota d’água foi o assassinato da jovem. O crime aconteceu dentro da cela, na Agrupación Especializada, um quartel da Polícia Nacional do Paraguai, onde ficam presos perigosos. Em entrevista coletiva, Abdo disse que não quis que Piloto permanecesse em seu país por mais tempo, após seis tentativas de fuga abortadas.
“Decidi expulsá-lo para que nosso país não seja terra de impunidade para ninguém. Temos esta atribuição e a utilizamos. Já foi o suficiente: seis tentativas de fuga foram abortadas. Pedimos celeridade com todas as nossas vozes e nossa força, e agradeço porque recebemos todo o apoio da Justiça”, argumentou o presidente, que determinou o cumprimento da lei de migrações daquele país, que trata da rejeição e expulsão de estrangeiros que atentem contra a soberania nacional.
Procurador da República no Brasil, professor de Direito da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e especialista em extradição, Artur Gueiros explicou que tal atitude é prevista também em tratado do Mercosul: “Não é uma ação para burlar a etiqueta e realizar uma extradição disfarçada. É um ato que procede, afinal, havia um indicativo de desestabilização nacional. O poderio desses criminosos poderia pôr em risco as instituições do Paraguai e do Brasil”.
Piloto aguardava a conclusão do seu processo de extradição que, concedido em 30 de outubro, era analisado em segunda instância após recurso. Horas depois da expulsão, contudo, a Justiça paraguaia concluiu o processo, mas o o pedido de extradição já havia perdido o objeto, segundo o Ministério da Justiça brasileiro. Futuramente, segundo o Ministério da Justiça, o Paraguai poderá transferir ao Brasil os processos criminais que Piloto responde naquele país.
Veja a trajetória de Piloto no mundo do crime:
Oriundo do Morro do Urubu, em Pilares, na Zona Norte do Rio, Marcelo Piloto iniciou na vida do crime como assaltante. O criminoso participava dos chamados “bondes” para praticar roubos na Zona Norte do Rio e ganhou o apelido porque era o motorista da quadrilha.
Começa a caçada
Em julho de 2010, o Disque-Denúncia lançou o primeiro cartaz no qual pedia informações sobre o traficante e oferecia uma recompensa de R$ 2 mil. Na ocasião, ele havia sido identificado pela polícia como envolvido em dois arrastões em apenas quatro dias.
Resgate ousado
Piloto entrou no tráfico após ter ficado preso com José Benemário de Araújo e assumiu o comando da favela de Manguinhos, na Zona Norte. Em 2012, participou do ousado resgate do traficante Diogo Feitosa, o DG, que estava detido dentro da 25ª DP (Engenho Novo).
Ex-mulher era pombo-correio
Após o resgate, Piloto se escondeu no Paraguai. Com a instalação de uma UPP em Manguinhos, permaneceu no país vizinho. Karen Bastos, a Gorda, sua ex-mulher, foi presa em 2014, acusada de receber e repassar ordens dele para o bando.
Revendedor de drogas e armas
O criminoso permaneceu no Paraguai até dezembro do ano passado, quando foi preso numa operação de policiais brasileiros e paraguaios. Desde então, policiais do Brasil e do Paraguai frustraram pelo menos seis tentativas de libertação do traficante.
Execução suspeita
A advogada Laura Casuso, que defendia Piloto, foi assassinada no Paraguai na semana passada. Investigadores paraguaios suspeitam que ela tenha sido morta a mando de um dos seus próprios clientes, por não ter obtido resultados satisfatórios durante os processos.
Coletiva na prisão
No início deste mês, Piloto surpreendeu ao conceder uma entrevista coletiva a jornalistas dentro do quartel da Polícia Nacional do Paraguai, onde estava preso. Na ocasião, o traficante assumiu que comprava drogas e armas no Paraguai e revendia as mercadorias.
Morta atrás das grades
No último sábado, a argentina Lídia Meza, de 18 anos, foi encontrada morta na cela do traficante. Ela levou 16 facadas. Era a segunda vez que a jovem, que seria garota de programa, visitava Piloto. Lídia foi assassinada com uma faca de sobremesa.
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