Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 13 de outubro de 2020
O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta terça-feira (13) que é contrário à inclusão do Pantanal no Conselho da Amazônia, como senadores da Comissão Temporária que acompanha as ações de combate às queimadas no bioma sugeriram ao presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi dada no Palácio do Planalto.
“Eu acho que a questão do Pantanal, em termos de tamanho, é mais simples do que a Amazônia, é mais uma questão ligada à preservação. A Amazônia tem outras questões, principalmente sobre desenvolvimento, e são duas áreas bem distintas”, disse.
Mourão, que é o presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, acrescentou que acredita que o bioma deva ficar sob responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA), porque “é uma questão de preservação ambiental”.
” É um caso que tem que ficar afeto ao ministério do Meio Ambiente porque é uma questão de preservação ambiental”, disse.
Questionado se não dava para incluir o bioma no conselho, Mourão afirmou:
“Não, não acho. A Amazônia é Amazônia e o Pantanal é o Pantanal, mas tudo depende das decisões que forem tomadas. A gente cumpre a decisão que for tomada”, explicou.
Na semana passada, senadores que compõem o grupo aprovaram uma indicação, elaborada pela senadora Simone Tebet (MDB-MS), para que o Pantanal passe a ser uma atribuição do Conselho Nacional da Amazônia.
A indicação enviada ao presidente Jair Bolsonaro pede que ele inclua o bioma, sem que haja alteração do estatuto do Conselho, por decreto. O objetivo é que o Pantanal tenha mais apoio do poder público durante o período das secas pelos próximos cinco anos, com inclusão no conselho até 2025.
Assim como Mourão, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, contestou a sugestão e disse que a ideia precisava ser “amadurecida”.
“Eu acho que essa é uma decisão que precisa ser amadurecida. Não vejo nenhum problema de ser inserido o Presidente da República, mas acho que essa conversa também precisa ser amadurecida, conversar lá com o Presidente do Conselho [da Amazônia], o vice-presidente Hamilton Mourão, e ver como isso pode ser encaixado ou não, enfim, as vantagens e as desvantagens de se estar no Conselho da Amazônia”, disse, durante debate na comissão temporária.
“Boi bombeiro”
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou nesta terça que concorda com a afirmação do “boi bombeiro” feita pela colega Tereza Cristina. Na semana passada, durante audiência pública na comissão do Senado que debate ações do governo contra incêndios no Pantanal, a ministra da Agricultura afirmou que o gado agiria como “bombeiro” por comer o capim do bioma, evitando que o fogo se alastrasse. O Greenpeace, ONG que atua em defesa da preservação ambiental, e especialistas classificaram a fala da ministra como “equivocada”.
Salles também voltou a defender o uso do chamado fogo frio como uma medida preventiva para combater as queimadas. A medida consiste em queimar matéria orgânica de maneira controlada e tem sido defendida por Salles desde que os incêndios começaram a devastar o Pantanal. Ele reclamou que é preciso permitir as queimadas controladas e evitar o “boicote por visões que não acreditam no formato”.
Salles, que nesta terça compareceu virtualmente à mesma comissão do Senado, fez uma defesa da frase de Tereza Cristina afirmando ter “fontes diferentes” sobre a importância da pecuária no Pantanal. O ministro, no entanto, não citou ou identificou nenhuma dessas fontes.
“Outra discussão que vem dando bastante polêmica diz respeito à história do “boi bombeiro” e a criação de gado do Pantanal. A própria ministra Tereza Cristina fez um comentário esta semana acerca da importância da criação de gado no Pantanal. Nós concordamos”, disse Salles. ‘Ouvimos de várias fontes diferentes sobre a necessidade de haver um reconhecimento do papel da criação de gado no Pantanal, uma vez que o gado também contribui para diminuir o que há de excesso de matéria orgânica. O capim, enfim, o pasto que ele ajuda a reduzir.”
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