Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 24 de abril de 2020
O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta sexta-feira (24) que o pedido de demissão do ministro da Justiça, Sérgio Moro, é uma perda para o governo e ressaltou que ele vinha fazendo um bom trabalho na pasta.
“O Moro é um cara muito bom e excepcional. Eu acho que ele vinha fazendo um bom trabalho. Mas relação é relação, né”, disse. “Não é bom, mas vida que segue”, acrescentou.
Em rápida entrevista à Folha de S.Paulo, o general da reserva ressaltou que o ex-juiz da Operação Lava-Jato é “um nome “importante” e “respeitado”. “Sempre se perde [com a saída]”, afirmou.”
“Sempre se perde [com a saída]”, afirmou. “Não sei qual era o grau de estresse que estava havendo. Nos últimos tempos, eu tinha trabalhado com o ministro no Conselho da Amazônia. E normal, sem problemas”, disse.
Até o último momento, a cúpula militar tentou construir um acordo entre Bolsonaro e Moro para evitar a saída do ministro.
O presidente, no entanto, resistiu à ofensiva e, apesar de ter sido procurado por Moro na noite de quinta (23), não quis conversar com o ministro.
Na manhã desta sexta, tanto o ministro da Casa Civil, general Braga Netto, como o da Economia, Paulo Guedes, ainda fizeram um último esforço, mas Bolsonaro estava, segundo relatos, irredutível.
Para integrantes do grupo fardado, ao não tentar evitar a demissão de Moro, o presidente criou uma crise “desnecessária” e “sem precedentes” em seu governo.
A avaliação é de que, ao ter ignorado os conselhos da cúpula fardada, o presidente voltou a priorizar o núcleo ideológico, colocando em risco até mesmo o apoio de parte de seu eleitorado.
Para o lugar do ministro, os nomes mais cotados são o do chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, e o do secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres.
Caso Jorge seja o escolhido, o presidente avalia escalar o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) para comandar a Secretaria-Geral.
Com isso, o governo ganharia um político no Palácio do Planalto para auxiliar na articulação com o Congresso. Hoje, há apenas militares nas quatro pastas que ficam no prédio da Presidência.
Bolsonaro acusa Moro
Ladeado por ministros e aliados do governo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acusou o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro de negociar uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) e admitiu interesses pessoais em ações da PF (Polícia Federal).
Bolsonaro afirmou que Moro pediu a ele para que a troca do comando da PF ocorresse em novembro, depois de o ex-juiz ser indicado a uma vaga no STF. “É desmoralizante para um presidente ouvir isso”, afirmou Bolsonaro durante pronunciamento na tarde desta sexta.
Pelo critério de aposentadoria compulsória aos 75 anos dos ministros do Supremo, as próximas vagas serão as de Celso de Mello, em novembro deste ano, e Marco Aurélio Mello, em julho de 2021.
Minutos após o pronunciamento do presidente, Moro negou a acusação de Bolsonaro. “A permanência do Diretor Geral da PF, Maurício Valeixo, nunca foi utilizada como moeda de troca para minha nomeação para o STF. Aliás, se fosse esse o meu objetivo, teria concordado ontem com a substituição do Diretor Geral da PF”, escreveu Moro em rede social.
Em outra mensagem, Moro afirmou: “De fato, o Diretor da PF Maurício Valeixo estava cansado de ser assediado desde agosto do ano passado pelo Presidente para ser substituído. Mas, ontem, não houve qualquer pedido de demissão, nem o decreto de exoneração passou por mim ou me foi informado.”
O presidente disse não ter que pedir autorização para trocar um diretor da PF. “Não tenho que pedir autorização para trocar um diretor ou qualquer outro que esteja na pirâmide hierárquica do Executivo.”
“Desculpe senhor ministro, mas o senhor não vai me chamar de mentiroso”, afirmou Bolsonaro, que não explicou a assinatura de Moro no ato de exoneração do diretor-geral da PF. Após o pronunciamento de Bolsonaro, o Planalto admitiu o erro e republicou, em edição extra do Diário Oficial, a demissão de Valeixo sem a assinatura eletrônica de Moro.
Ainda sobre hierarquia, Bolsonaro disse que “o dia em que eu tiver que me submeter a um subordinado, deixo de ser presidente da República”.
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