Quinta-feira, 16 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 28 de outubro de 2018
Mais de cinco horas de exposição na TV na propaganda eleitoral gratuita para cada presidenciável, 186 milhões de visualizações em vídeos no YouTube dos dois, um único post do líder nas pesquisas na rede social Facebook visto por 1,9 milhão de pessoas: a disputa entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) tem números que expõem o tamanho e o caráter multiplataforma da campanha.
Dentre tantos meios, não há um dado definitivo que aponte o mais influente na disputa presidencial. É possível afirmar, porém, que nenhuma plataforma pautou tanto o debate no segundo turno quanto o WhatsApp. Líder nas pesquisas, Bolsonaro teve uma forte atuação de seus eleitores no aplicativo. Uma reportagem especial do jornal “Folha de S.Paulo” mostrou que empresários impulsionaram disparos por WhatsApp contra o PT – pagando valores em torno de R$ 12 milhões por cada “pacote” de envios de mensagens, muitas deles de caráter falso.
O aplicativo de troca de mensagens não deixa rastros e métricas que permitam análises mais precisas sobre sua influência. A origem de mensagens, quantas pessoas replicaram notícias (verdadeiras e falsas), o número de grupos existentes – nada disso é divulgadas pelo WhatsApp, que informa apenas o número de usuários no Brasil: 120 milhões.
Pesquisa
De acordo com uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha, 65% dos eleitores afirmam usar o aplicativo de troca de mensagens. Desses, 47% dizem acreditar nas notícias que recebem pela rede social. A rede foi usada por apoiadores dos dois candidatos para replicar panfletos digitais.
“O efeito [dessa ação] é exponencial. Um compartilha para um grupo com 50, que compartilham com outro que tem 50. Não temos a dimensão que isso pode ganhar”, afirma Fábio Vasconcellos, cientista político e professor da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e UERJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
“Fake news”
Especialistas apontam esse caráter de escuridão no aplicativo como área fértil para o compartilhamento de notícias falsas e boatos. Foi assim na eleição de 2018.
“Vimos uma propagação de ‘fake news’. Muitas são compartilhadas de forma voluntária em redes que [no caso dos apoiadores de Bolsonaro] não foram criadas agora. São movimentos que se organizam desde 2013”, afirma Mariana Valente, diretora do instituto InternetLab e doutora em sociologia jurídica pela USP (Universidade de São Paulo).
Desde 2016, o WhatsApp limita o número de participantes em cada grupo (máximo de 256) e a quantidade de destinatários para quem um usuário pode encaminhar uma mensagem (20 pessoas ou grupos). As medidas foram adotadas para tentar limitar a replicação de “fake news”.
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