Quarta-feira, 29 de julho de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia Oito em cada dez jovens brasileiras que engravidaram na infância ou adolescência já tiveram que deixar um emprego ou perderam oportunidades profissionais

Compartilhe esta notícia:

A maternidade precoce é um fator que eleva em 50 pontos percentuais a perda de oportunidades de trabalho e renda. (Foto: Reprodução)

Oito em cada dez jovens brasileiras que engravidaram na infância ou adolescência já tiveram que deixar um emprego ou perderam oportunidades profissionais, segundo o estudo “Marcas do Tempo”, elaborado pela ONG Plan Brasil.

De acordo com os dados do levantamento, que ouviu 1.500 mulheres de 19 a 29 anos em todas as regiões do país, 83% das mulheres que engravidaram antes de se tornarem adultas enfrentaram perdas de oportunidades profissionais.

Ao observar as condições prévias, o estudo ainda identificou que a maternidade precoce é um fator que eleva em 50 pontos percentuais a perda de oportunidades de trabalho e renda para jovens mulheres no Brasil.

De acordo com a ONG, para entender o que de fato pode ser atribuído à experiência da gravidez precoce, a pesquisa comparou sistematicamente dois grupos de jovens mulheres. No primeiro, estavam as que engravidaram na infância ou na adolescência e, no segundo, as que não passaram por essa experiência. A partir daí, o estudo utilizou técnicas estatísticas para isolar o impacto exclusivo da gestação, descontando fatores como pobreza ou baixa escolaridade prévia. A base de dados foi complementada por 50 entrevistas para uma análise qualitativa.

De acordo com a conclusão do estudo, as jovens que engravidaram na infância ou na adolescência acumulam desvantagens visivelmente maiores ao longo da vida, desde o desenvolvimento educacional até a inserção no mercado de trabalho, passando pela renda, saúde e no exercício de seus direitos, quando comparadas às jovens que não viveram essa experiência.

“A gravidez na infância ou na adolescência é um ponto de inflexão que aprofunda desigualdades que já existiam antes mesmo da gestação”, afirma a CEO da ONG Plan Brasil, Cynthia Betti. “Reverter esse quadro exige implementação, monitoramento e orçamento para políticas públicas integradas e de prevenção, e não respostas isoladas”, acrescenta.

O estudo também aponta que os impactos não se limitam ao mercado de trabalho. Jovens que engravidaram na infância ou adolescência têm 24 pontos percentuais a mais de chance de não estar estudando e 21 pontos percentuais a mais de chance de não concluir o Ensino Médio, na comparação com quem não passou por essa experiência.

Outro achado do estudo é que abandono escolar é muito mais frequente do que se pensa. De acordo com os dados, 61% das mulheres que engravidaram precocemente pararam de estudar, contra 33% entre as que não engravidaram. Entre as jovens que não engravidaram, a evasão escolar costuma ter causas diversas como dificuldades de saúde mental, contexto familiar, qualidade do ensino e desigualdades sociais. Já entre as que engravidaram, o abandono se concentra fortemente em um único fator, a própria gravidez ou o cuidado com os filhos, apontado como motivo direto por uma proporção 49 pontos percentuais maior do que no grupo de comparação.

“Essas mulheres não perderam apenas um emprego ou um ano de estudo. Perderam a possibilidade de escolher os próprios caminhos no momento em que mais precisavam dessa autonomia”, acrescenta Betti. “Nenhuma menina deveria ter seu projeto de vida decidido por uma gravidez que ela não teve condições plenas de prevenir.” As informações são do jornal Valor Econômico.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Alerta: idosos já representam 20% do total de inadimplentes no Brasil
“Efeito Milei” derruba vendas do Brasil para a Argentina
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x