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Carlos Alberto Chiarelli Oppenheimer: A P(B)omba da Paz

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Oppenheimer usara o remédio amargo com muitos problemas consequentes, mas que, de momento, terminava com a guerra aterrorizante do dia-a-dia. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Hitler convocava e chegava a ameaçar, mesmo os fanáticos nazistas, de inequívoca sabedoria físico química, fazendo-os recolher-se para o macro laboratório na Alemanha, recentemente inaugurado e que o Fuhrer alegava ser o mais moderno do mundo. Sua equipe tinha um projeto (esclareça-se: um único) e respondiam seus coordenadores diretamente ao Fuhrer. Seu objetivo como equipe era fazer funcionar o instrumental de última geração e tornar verdadeira a aspiração do chefe germânico com a qual os serviços de espionagem e contra espionagem do nazismo alimentavam a vaidade de Hitler alegando que, na Europa, havia um senso comum: o Fuhrer seria o rei do universo. Seu pessoal fazia comentários que destacavam a vantagem do sistema germânico graças às técnicas que tinham sido aprovadas pelo ditador. Na verdade, fatos como esse colocavam nas mãos de Hitler o poder total. Qualquer discrepância, fosse quem fosse que produzisse tal manifestação, seria motivo de julgamento penal com sentença, muitas vezes, de morte. Enquanto isso, nos EUA, o regime democrático assegurava debates, inclusive no Parlamento críticas duras da oposição. Além da imprensa que, sem censura, divulgava tudo o que sabia e algo mais, prejudicando a tranquilidade da pesquisa científica. Havia, além desse quadro de formalidades, obstáculos na demanda: Oppenheimer teve que depor ante uma comissão do Senado (devemos lembrar que ele era judeu alemão) e viera para os EUA escapando de uma condenação à morte da justiça nazista. Confiava que a única salvação que teria era fugir para os EUA. O projeto oficial estava sediado em Los Álamos.

Oppenheimer resolveu pôr o projeto à prova, defendendo anuência das forças armadas. Mais de 400 pessoas, entre as quais autoridades de maior porte, assistiram a explosão que decorria da bomba. Enquanto isso, Oppenheimer e sua equipe preocupavam-se com procedimentos burocráticos a que seu trabalho estava submetido. Entendiam que isso atrasava um ritmo que não podia ser reduzido.

Ao seu lado, Oppenheimer trouxe para número 2 da comissão o físico de valia universal Enrico Fermi, italiano, antifascista e por Mussolini condenado à morte. A sua fuga para os EUA foi a maneira de preservar a sua vida. O projeto da bomba estava a um passo da conclusão, mas se sabia que o projeto alemão (a Rússia também tentava idêntico objetivo) estava chegando cada vez mais próximo. Oppenheimer conseguiu falar pessoalmente com o Presidente, que seria a pessoa que daria a palavra final; isto é, no lançamento da bomba. Ocorre que, num novo contexto, o Presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, que já estava no quarto mandato. Tinha uma popularidade imbatível, sendo favorável ao lançamento da bomba. Sofria de paralisia infantil progressiva. A enfermidade agravou-se e se tornou impossível que ele continuasse exercendo a presidência do país.

Em seu lugar, nessa hora tão difícil, foi convocado o vice-presidente, Harry Truman, cujo perfil de acordo com os meios empresarias, políticos e militares de Washington era de alguém sem experiência para enfrentar a decisão que precisaria tomar. A oposição radicalizou a contestação. Oppenheimer obteve uma audiência presidencial com Truman e fê-lo saber o quanto estava em risco o mundo e particularmente a sociedade norte americana. Truman resistiu inicialmente a apressar a decisão. Era um interiorano que não tinha o costume de exercer funções decisórias; preferia postergá-las.

Os argumentos de Oppenheimer, no entanto, obrigaram a que mudasse de ideia. Decidiu decidir. Combinou-se, então, que, tendo em vista que a Alemanha se tinha rendido (não suportou a derrota na Rússia), restava insistente na continuidade do conflito o Japão. Por isso, a decisão final do Presidente Truman foi a de que seriam bombardeadas duas grandes cidades japonesas: Hiroshima e Nagasaki.

Na primeira, havia uma previsão de 120 mil mortes; na segunda, o número se reduziria a 85 mil. A operação foi realizada pela força aérea americana. Usou-se o avião cargueiro de maior porte da aeronáutica militar estadunidense. Nele foi colocada a Bomba Atômica transformando-se a Enola Gay, nome da aeronave, em transportadora da morte. O Japão, depois da explosão das duas bombas atômicas, tomou o mesmo caminho da Alemanha: rendeu-se.

A guerra acabara. Oppenheimer usara o remédio amargo com muitos problemas consequentes, mas que, de momento, terminava com a guerra aterrorizante do dia-a-dia. Apesar do instrumento usado, a Bomba Atômica estava construindo a paz.

Carlos Alberto Chiarelli foi ministro da Educação e ministro da Integração Internacional.

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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