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Mundo Os Estados Unidos relatam “boas notícias” contra o coronavírus em testes de droga criada para combater o ebola

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O presidente Donald Trump, que teve Covid-19 no começo de outubro, recebeu remdesivir durante cinco dias. (Foto: Reprodução)

O médico consultor de saúde do governo americano, o especialista em imunologia Anthony Fauci, afirmou nessa quarta-feira (29) que a primeira etapa de testes do remédio remdesivir, da biofarmacêutica Gilead Sciences, mostrou “boas notícias” no combate ao novo coronavírus.

Fauci afirmou a repórteres durante coletiva de imprensa na Casa Branca que os dados teriam revelado “um efeito claro de corte no tempo de recuperação” da Covid-19.

As notícias animam cientistas, governos e mercados também porque o remdesivir é estudado desde 2015, quando demonstrou eficiência no combate à epidemia de ebola na África. A droga antiviral, que atrapalha o processo de reprodução do vírus ao fazer com que ele copie também moléculas da droga, também vem sendo testada contra vírus menos conhecidos que possuem material genético formado por uma fita de RNA, assim como o novo coronavírus. Por isso, é considerada no meio do caminho, em termos de cronogramas de testes e lançamento, em comparação com drogas novas, criadas “do zero”.

“É uma droga que foi criada para tratar o ebola e, por isso, já tinha prontos os estudos de segurança (fases 1 e 2), quando se avalia os efeitos colaterais. Agora, estão saindo os primeiros resultados da fase 3, que verifica a real eficácia em comparação com placebos”, explica Mirian Dal Ben, médica infectologista do Hospital Sírio-Libanês, doutora em infectologia pela USP.

Embora relate que instituições no Brasil, como o próprio Sírio-Libanês, já se mobilizam para participar de testes clínicos com o remdesivir sob supervisão da Organização Mundial da Saúde, a própria médica ressalva: ainda não há certezas nem sobre a eficácia do medicamento, nem sobre uma eventual disponibilização do remédio para pacientes brasileiros.

“O Fauci antecipou o que seriam dados preliminares de uma parte dos pacientes no teste, cerca de 396 entre cerca de 3.200, mas o artigo completo da Gilead ainda não foi publicado. Além disso, hoje mesmo saiu outro estudo, conduzido pela China, e afirmando que a droga não mostrou resultado. E não sei se a Gilead disponibilizaria o medicamento para nós fazermos esses testes. Já estava esperançosa, mas por enquanto o remdesivir continua sendo um tiro no escuro”, ela completa.

Mais cedo, a Gilead Sciences havia informado que o estudo havia chegado aos primeiros resultados, mas não deu mais detalhes. As autoridades de saúde dos EUA devem divulgar em breve os resultados completos dos testes, conduzidos pelo Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas do país.

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