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Brasil Analistas de mercado preveem para esta semana mais um corte na taxa básica de juros, para 7% ao ano, o que significa o seu menor patamar histórico

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A taxa real ainda segue elevada, apontam especialistas. (Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas)

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) se reunirá nesta quarta-feira e deve reduzir a Selic (taxa básica de juros da economia) dos atuais 7,5% para 7% ao ano, segundo estimativas dos economistas do mercado financeiro.

Caso se confirme, esse será o menor patamar para a Selic desde o início da série histórica do BC, em 1986, ou seja, em mais de 30 anos. Até então, a menor taxa básica de juros que se tem notícia, de 7,25% ao ano, havia sido registrada entre outubro de 2012 e abril de 2013.

Economistas do mercado financeiro, no entanto, trabalham com séries históricas mais antigas do que a do BC. Conforme um estudo de Maurício Molan, do banco Santander, em 7% ao ano, a taxa interbancária “overnight” (muito próxima à taxa básica, Selic) “certamente seria a menor dos últimos 60 anos”. “O menor juro da história republicana foi, provavelmente, algo próximo a 5%, predominante no início do século passado”, acrescentou.

Para o economista do Bradesco Igor Velecico, esse patamar para a taxa básica da economia seria o mais baixo desde o início da série histórica da instituição financeira, em 1974. “É essencialmente a taxa mais baixa desde sempre”, declarou.

Apesar de o juro básico ser o mais baixo em décadas, a taxa real (calculada após o abatimento da inflação estimada para os próximos 12 meses), utilizada para comparações internacionais, ainda segue elevada, segundo cálculos do MoneYou e da Infinity Asset Management. O patamar atual de 7,5% ao ano, por exemplo, representa juros reais pouco abaixo de 3% ao ano. Em 40 economias pesquisadas, entretanto, a taxa média está negativa em 0,2% ao ano.

Juros bancários

Mesmo com a taxa Selic próxima do menor patamar em décadas, os juros bancários seguem em níveis elevados para padrões internacionais, segundo economistas. Em outubro deste ano, conforme informações do BC, a taxa média de todas as operações (pessoas físicas e jurídicas, com recursos livres) somou 43,6% ao ano – muito acima da taxa básica.

Para empresas, os juros bancários médios ficaram em 23,3% ao ano em outubro, enquanto para pessoas físicas atingiram 59,5% ao ano – com algumas linhas de crédito em patamares bem mais elevados, como no cheque especial (323,7% ao ano) e no cartão de crédito rotativo (337,9% ao ano).

Segundo o diretor-executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro de Oliveira, os juros bancários brasileiros são, de fato, elevados na comparação com outros países.

“A Selic é um dos componentes da taxa de juros bancária. Em uma comparação, por exemplo, com uma camiseta, ela tem tecido, costureira, marketing da loja, funcionários, tem uma série de custos que são cobrados. Quando vai fazer um financiamento, seja consignado, imobiliário, a Selic é um dos itens que compõem o custo do dinheiro”, explicou.

Segunda-feira

Enquanto isso, os juros futuros operam em baixa nessa segunda-feira, estendendo o sinal da última sessão. O pano de fundo para movimentação dos ativos inclui a articulação do governo para a reforma da Previdência. Estima-se que 49 de 50 economistas esperam que o Copom corte a Selic em 0,5 ponto agora, com a maioria esperando nova redução na reunião de fevereiro.

Dentre aqueles que preveem mais afrouxamento monetário no início do ano que vem, ao menos 21 veem redução de 0,25 ponto percentual, a 6,75%, e nove declínio de 0,5 ponto percentual. O Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, também vê corte de 0,50 ponto agora, mas calcula a taxa básica de juros no fim do ano que vem em 6,5%.

Em relação à a economia, a conta para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2017 foi elevada a 0,89%, de 0,73%, após os investimentos mostraram no terceiro trimestre o melhor desempenho em quatro anos. O PIB do Brasil subiu 0,1% entre julho e setembro passado sobre o segundo trimestre, terceiro período seguido de expansão, com a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) crescendo 1,6% no período.

Para a inflação, a pesquisa semanal com uma centena de economistas passou a calcular a alta do IPCA em 2017 em 3,03 por cento, de 3,06 por cento no levantamento anterior. Para 2018, permanece a expectativa de inflação de 4,02%. A meta de inflação para ambos os anos é de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

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