Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de dezembro de 2019
Uma nova campanha de conscientização contra o uso e a aquisição de óculos sem procedência começa a ganhar espaço na frota de ônibus de Porto Alegre. A iniciativa traz peças veiculadas na parte traseira dos coletivos (“busdoors”), além de cartazes e folhetos que alertam a população sobre os riscos à visão de quem utiliza óculos falsificados.
A iniciativa é do Sindióptica (Sindicato do Comércio Varejista de Material Óptico, Fotográfico e Cinematográfico do Rio Grande do Sul) e da Ajorsul (Associação do Comércio de Joias, Relógios e Óptica do Rio Grande do Sul), com o apoio do Procon municipal da capital gaúcha, órgão da prefeitura responsável por fazer a defesa do consumidor.
Com o slogan “Falsificado, nem de graça!”, a campanha se estenderá até o final de janeiro e pretende atingir o público circulante, a partir de 100 painéis colocados nos ônibus que fazem parte do transporte público municipal. Já os cartazes e panfletos também serão distribuídos em repartições públicas, estabelecimentos ópticos e demais espaços de acesso ao público-alvo.
“As peças evidenciam que lentes sem proteção UV [ultravioleta] aumentam em 60% os riscos de catarata – o que pode levar a cegueira. Já os fôlderes desconstroem o argumento de que o comércio informal trabalha com “réplicas” ou “segunda linha” – que nada mais são do que produtos falsificados”, ressalta a prefeitura.
Atualmente, os óculos estão em quinto lugar entre os produtos mais comercializados ilegalmente em Porto Alegre, segundo o Sindióptica. Destes, 62% se referem à venda de óculos-de-sol, o que alimenta o contrabando e a movimentação de recursos não contabilizados pela Receita Federal.
Ao mesmo tempo, os óculos sem procedência são o segundo item mais apreendido pelas ações de fiscalização da SMDE (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico), com um total de 15.848 apreensões entre janeiro e agosto deste ano.
Para a diretora executiva do Procon Porto Alegre, a campanha é fundamental para proteger não só os direitos, mas também a saúde de quem adquire óculos:
“Cabe ao Procon zelar pela proteção à saúde e segurança do consumidor. É por isso que apoiamos a campanha. O consumidor não deve pensar apenas nas questões estéticas e modismos. Deve, sim, valorizar a sua saúde e a sua visão, que ao longo dos anos poderá ser drasticamente prejudicada por escolhas erradas. É fundamental saber a procedência e qualidade do produto que se adquire”.
Já para o presidente do Sindióptica RS, André Roncatto, mais uma vez, as entidades reunidas levam a mensagem de saúde pública junto aos porto-alegrenses. “É importante alertar a sociedade sobre os riscos dos óculos sem qualidade, pois estes produtos apresentam-se como uma ameaça à saúde pública e com efeitos cumulativos e irreversíveis”, ressalta.
No ano passado, uma ação semelhante (a campanha “Saúde dos Olhos”) foi veiculada na frota de ônibus e, segundo a SMDE, causou boa repercussão sobre a opinião pública e imprensa, revertendo a ideia do impulso pela compra fácil, uma vez que lentes sem qualidade potencializam a penetração de raios solares, podendo queimar a retina, atentando contra a visão, e por consequência, à saúde pública da população.
(Marcello Campos)
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