Quarta-feira, 24 de junho de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
Fair

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Acontece Painel internacional reforça integração global na prevenção de desastres

Compartilhe esta notícia:

Painelistas da Itália e Países Baixos destacaram a importância de manter a mobilização pela prevenção.

Foto: João Pedro Rodrigues/Secom
Painelistas da Itália e Países Baixos destacaram a importância de manter a mobilização pela prevenção. (Foto: João Pedro Rodrigues/Secom)

O Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil, realizado em Porto Alegre pelo governo do Estado em parceria com o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, consolidou o Rio Grande do Sul como referência nacional na integração entre prevenção, preparação e resposta a desastres. O evento, parte do Programa Estadual de Preparação para Eventos Extremos (Prepara RS – El Niño), reuniu especialistas da Itália e dos Países Baixos para compartilhar experiências que unem tecnologia, planejamento e mobilização social na gestão de riscos.

Mais de mil participantes acompanharam o painel, que abordou temas como monitoramento hidrometeorológico, comunicação de riscos, resposta a emergências e investimentos de longo prazo. O encontro reforçou que a construção de territórios resilientes depende de planejamento contínuo, memória coletiva e compromisso político — pilares que o Estado busca consolidar após os eventos climáticos extremos de 2024.

O diretor do Serviço de Prevenção de Riscos da Província Autônoma de Trento, Bruno Bevilacqua, apresentou o modelo italiano de gestão territorial baseado em dados e evidências. A região mantém 300 estações hidrometeorológicas que alimentam mapas de risco atualizados anualmente, utilizados para definir zonas de restrição urbana e obras estruturantes. “Não podemos capturar ou prender a natureza. O que podemos fazer é mitigar e gerenciar os riscos, com planejamento e atualização contínua”, afirmou. Ele também destacou a importância da informação à população e da coordenação das respostas, citando estruturas como a sala provincial de operações e unidades logísticas móveis para acolhimento de comunidades afetadas.

Também de Trento, Ruggero Valentinotti apresentou a trajetória histórica da gestão de recursos hídricos na região, lembrando que uma enchente em 1882 originou a estrutura que segue ativa até hoje. “Depois de dois ou três anos, as pessoas tendem a esquecer os efeitos. Nossa tarefa é manter viva essa lembrança para que a prevenção continue sendo prioridade”, observou, defendendo investimentos contínuos e educação ambiental como ferramentas de longo prazo.

Representando os Países Baixos, Peter Glerum traçou paralelos entre as enchentes históricas europeias e as do Rio Grande do Sul. Ele lembrou que a tragédia de 1953, que deixou cerca de 2 mil vítimas fatais, levou à criação do Plano Delta, programa que ainda hoje recebe investimentos bilionários anuais para prevenção de cheias. “Infelizmente, muitas vezes precisamos de um desastre para promover transformações. O desafio é manter o compromisso político e social com a prevenção ao longo do tempo”, afirmou.

Glerum ressaltou que todos os eventos climáticos extremos podem ser previstos com antecedência suficiente para adoção de medidas eficazes. O desafio, segundo ele, é garantir que os alertas cheguem às pessoas e sejam compreendidos. “Além de investir em tecnologia, é necessário assegurar que a população saiba como agir diante dos avisos”, concluiu.

Durante o congresso, o Estado também sediou a reunião do Conselho dos Gestores Estaduais de Proteção e Defesa Civil, que discutiu o repasse de recursos via modelo Fundo a Fundo e a entrega de kits operacionais a 73 municípios, com veículos, geradores e rádios multibanda. A iniciativa reforça a descentralização das ações e a autonomia dos municípios na resposta a emergências.

O evento mostrou que o Rio Grande do Sul está construindo um modelo de governança climática inspirado em práticas internacionais, mas adaptado à realidade local. A integração entre ciência, tecnologia e participação social é o caminho para transformar o aprendizado das tragédias recentes em políticas públicas permanentes.(Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Acontece

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Prêmio Exportação RS celebra 54ª edição com 64 vencedores
InvestRS consolida 1 ano em SP e amplia presença nacional
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x