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Rio Grande do Sul Paleontólogos apresentam novo estudo envolvendo réptil de 230 milhões de anos no Rio Grande do Sul

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O trabalho envolve um fóssil enigmático, que foi descoberto há mais de 50 anos, cuja anatomia e relações eram controversas.

Foto: Reprodução
O trabalho envolve um fóssil enigmático, que foi descoberto há mais de 50 anos. (Foto: Reprodução)

O prestigiado periódico britânico “Zoological Journal of the Linnean Society” publicou no começo de julho um novo artigo que envolveu a colaboração de pesquisadores do Centro de Apoio a Pesquisas Paleontológicas (CAPPA) da UFSM, da Unipampa e da PUCRS.

O estudo aborda a redescrição do arcossauriforme Proterochampsa nodosa, animal predador do Triássico Superior do Rio Grande do Sul. O trabalho é liderado pelo estudante de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, Daniel de Simão Oliveira, e contou com a colaboração dos paleontólogos Flávio Augusto Pretto (CAPPA/UFSM), Felipe Lima Pinheiro (Unipampa) e Marco Brandalise de Andrade (PUCRS).

Os proterocampsídeos eram répteis predadores de médio porte que viveram durante o período Triássico (há cerca de 230 milhões de anos). Até agora, fósseis desses animais foram encontrados, exclusivamente, em rochas do Triássico da Argentina e do Rio Grande do Sul. Várias espécies desse grupo apresentam características muito semelhantes aos jacarés e crocodilos de hoje em dia, como um focinho alongado, crânio largo e achatado, grandes dentes cônicos e narinas dorsais na ponta do focinho.

Tais semelhanças levam os paleontólogos a acreditar que esses animais, provavelmente, teriam uma dieta e hábito de vida similar. Mas, apesar disso, os proterocampsídeos pertenciam a uma linhagem completamente separada dos crocodilianos e seus descendentes, que também já viviam na mesma época.

O estudo agora publicado trata da redescrição anatômica e reavaliação taxonômica de Proterochampsa nodosa, que é o fóssil de um crânio grande (42 cm), quase completo e com sua mandíbula articulada. O espécime foi escavado em rochas do município de Candelária na década de 1970, e descrito em 1982 pelo paleontólogo Mario Costa Barberena.

A semelhança com jacarés e crocodilos (ainda que superficial) é o que inspirou o nome do animal (“Protero” = anterior/antigo + “champsa” = crocodilo), algo como “crocodilo antigo” em livre tradução. E esse animal também apresenta, ao longo de sua cabeça, a outra característica que dá nome à espécie: várias protuberâncias em forma de nódulos (“nodosa”).

O material só havia sido brevemente descrito na época de sua descoberta e, nas últimas décadas, a relação de Proterochampsa nodosa com a outra espécie argentina, Proterochampsa barrionuevoi, se tornou incerta. Tais problemas levaram à necessidade de re-estudar e reavaliar a espécie.

Um aspecto inovador do trabalho foi o emprego de tecnologias de tomografia computadorizada para acessar áreas do crânio que são impossíveis de se observar externamente. Por ter sido preservado com a boca fechada, até o momento se desconhecia a anatomia do palato do animal. Através das imagens de tomografia, os pesquisadores puderam, virtualmente, separar o crânio e a mandíbula.

“Depois de 230 milhões de anos, o Proterochampsa finalmente abriu a boca novamente” brinca Daniel Oliveira, “e por isso pudemos avaliar em detalhe aspectos desconhecidos de sua anatomia”. Com base no trabalho, foi possível aprofundar e definir melhor as diferenças entre as espécies-irmãs do gênero Proterochampsa. “Confirmamos que os materiais argentinos e brasileiros são duas espécies diferentes, ainda que aparentadas”, reforça Felipe Pinheiro.

Boa parte do estudo foi realizada durante o período de pandemia de Covid-19. “Tivemos a sorte de realizar as tomografias antes do período de lockdown, de modo que já tínhamos os dados brutos coletados em segurança”, comemora Marco Brandalise de Andrade, curador do Setor de Paleontologia do Museu de Ciência e Tecnologia da PUCRS, onde o fóssil está depositado.

De posse dos dados digitais, os paleontólogos puderam trabalhar em rede, remotamente. “Foi um aspecto fundamental do nosso trabalho”, destaca o paleontólogo Flávio Pretto “pois pudemos trabalhar virtualmente, mesmo estando há quilômetros de distância do fóssil. Isso também vai nos permitir difundir esses dados com maior facilidade, pois os modelos do animal agora podem ser compartilhados em rede”.

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