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Mundo Pandemia do coronavírus impulsiona a expansão de empresas brasileiras em Portugal

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A Horta Osório Wines foi comprada por brasileiros: € 30 milhões investidos no Douro. (Foto: André C. Macedo/Divulgação)

O primeiro ano da pandemia chegava ao fim quando o empresário Cristiano Gomes foi informado de uma oportunidade: uma tradicional produtora de vinhos no Rio Douro estava à venda. A concretização do negócio foi rápida e, no final de abril de 2021, o Menin Douro Estates adquiriu a Horta Osório Wines (H.O.). Ao todo, o grupo investiu € 30 milhões em propriedades na famosa região vinícola do Norte de Portugal.

Enquanto parte das empresas fechavam ou enfrentavam dificuldades mundo afora, os sócios brasileiros assinavam o contrato de compra da nova propriedade do Menin, que detém a Quinta da Costa de Cima e do Sol. Gomes, administrador do grupo, conta que as ofertas de quintas à venda em Portugal têm multiplicado e são oportunidades de negócios para empresas que resistem à crise econômica causada pela pandemia de covid-19 e têm capacidade de investimento.

“Eu tenho recebido quantidade absurda de ofertas de quintas à venda em Portugal. Quintas que não tinham rótulos próprios e vendiam as uvas para terceiros. Ou eram rótulos de pouca expressão. Em todos os casos, não tinham situação de caixa confortável. Para essa turma, a pandemia pegou pesado. Para quem vendia para hotéis, restaurantes e cafés (Horeca), a dificuldade é enorme”, disse Gomes.

Ao resistir ao desastre econômico da pandemia, o grupo pôde fechar um negócio que custaria muito mais. O Jornal de Negócios, publicação portuguesa especializada, informa que a família que vendeu a H.O. estaria em dificuldades financeiras. Menin Douro Estates comprou as propriedades dentro dos 33 hectares, ou 330.000 m², sendo 10 hectares de vinhas.

“A pandemia tem duas faces: do desastre e da resistência para quem tinha capacidade de investimento e capital de giro para enfrentar a situação, como acontece conosco, que recebemos a oferta de uma quinta fantástica e totalmente operacional. Se fôssemos construir tudo, gastaríamos três vezes mais e, no entanto, compramos numa negociação relativamente fácil”, explicou Gomes.

A empresa começou a engarrafar a safra 2018 de vinho de mesa cultivado nas outras propriedades. E parte do destino desta produção será o Brasil, onde o consumo aumentou e ajudou a salvar Portugal da crise durante a pandemia:

“É um destino preferencial, porque temos laços e facilidade de distribuição.”

No mesmo caminho de expansão está a Onii, de lojas automáticas de venda de produtos alimentares. A empresa brasileira chegou a Lisboa na pandemia com cinco lojas e negocia a abertura de mais 20 pelo país.

“A gente não fez pensando em pandemia, começamos antes disso. Mas foi incrivelmente a favor do nosso negócio a pandemia. O nosso real negócio é tecnologia para que a loja tradicional possa operar de forma autônoma”, disse Tom Ricetti, sócio e diretor de novos negócios da Onii.

A Onii é uma start-up que tinha apenas uma loja autônoma no Brasil em 2020. Chegou a 93 em dezembro daquele ano. Ultrapassou a marca de uma centena em 2021 e a meta é inaugurar 500.

Ricetti vincula o crescimento da empresa ao novo comportamento de parte da população, que ainda tem receio de contato pessoal:

“Parece que virou estigma. Vacinados ou não, vamos continuar não apertando muito as mãos nem dando abraços. Esta parte catapultou nosso negócio.”

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