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Mundo Pandemia na Europa acende alerta no Brasil

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Há a perspectiva de uma nova onda de contágios antes do final do ano. (Foto: Getty Images)

Após meses de aparente calmaria e abandono de restrições sanitárias, a Europa voltou a ser o epicentro da pandemia no mundo. Com uma vacinação iniciada ainda no final de 2020, mas dificuldade para avançar na cobertura de toda a população, e flexibilização de atividades, o continente serve como uma lição e um alerta ao Brasil, na perspectiva de pesquisadores.

“Nesses últimos dois anos, a Europa sempre deveria ter servido de modelo para o Brasil, porque o que começa lá acontece aqui três meses depois. Nunca aproveitamos esse ensinamento. Nossos números estão melhores e devemos ficar felizes, mas nosso índice de vacinação não dá segurança de que a pandemia tenha terminado, porque temos taxas flutuantes de transmissão do vírus”, avalia a infectologista e professora da Universidade Estadual de Campinas Raquel Stucchi.

A Alemanha, por exemplo, tem uma cobertura vacinal de 67% da população com as duas doses, número que não avança significativamente desde o final de setembro. Na última semana, ela atingiu a maior taxa de contágio do vírus desde o início da pandemia, principalmente entre cidadãos não vacinados.

Outros países europeus, especialmente no Leste da Europa, como Bulgária e Romênia, não alcançam sequer 30% da população total vacinada, segundo o site Our World in Data. Com a predominância da variante delta no continente, dada a disseminação mais intensa que a das primeiras versões do coronavírus, qualquer brecha de população não vacinada torna-se um risco para alta de casos, explica a epidemiologista Denise Garrett.

“Podemos pensar em uma floresta com galhos secos: a delta ou outras variante com transmissibilidade mais alta vão queimar até esgotar a população suscetível. Não há dúvida de que as vacinas funcionam, mas com 80% de vacinados, por exemplo, ainda tenho 20% de suscetíveis”, detalha.

Nesse cenário, ela pontua que as medidas de prevenção, como uso de máscara e evitar locais fechados, são os maiores aliados da continuidade da vacinação. Países europeus que já haviam minimizado restrições, como Bélgica e Holanda, voltaram, atualmente, a ampliar limitações. O diretor da OMS para a Europa, Hans Kluge, alertou no último mês que, com a elevação do índices de hospitalizações, o continente pode registrar mais meio milhão de mortes até fevereiro de 2022.

A epidemiologista Denise Garrett elogia a postura da prefeitura de Belo Horizonte, que vem flexibilizando atividades baseada em indicadores epidemiológicos e que, desde a última semana, passou a permitir inclusive eventos sem limitação de público. Amparada pelos infectologistas do comitê de enfrentamento à pandemia, a cidade baliza as aberturas na taxa de transmissão do vírus e na ocupação de leitos. “São indicadores corretos, porque a cobertura vacinal não é o indicador para remover medidas restritivas, e sim a circulação viral”, pontua Garett.

Segundo o último boletim epidemiológico da capital, o índice que mede a transmissão da doença (RT) está controlado, mas ocupação de leitos de UTI passou para o nível de alerta e a ocupação de leitos de enfermaria se aproxima dele, beirando os 50%.

Festas

Embora não descarte uma nova onda de casos de covid-19 no Brasil após as festas de final de ano, o infectologista Unaí Tupinambás, membro do comitê municipal, avalia, como outros especialistas, que ela tende a ser mais branda que o cenário do primeiro semestre deste ano, dado o avanço da vacinação.

“Acredito que possa haver aumento de casos, mas a expectava é que ele não tenha impacto nos hospitais, nas internações e, felizmente, na taxa de letalidade. A pandemia vai custar a arrefecer e vai manter esses casos relativamente baixos. 280 mortes por dia é muita coisa, se compararmos, por exemplo, à média de 20 mortes por dia da epidemia do H1N1”, diz. O clima quente do verão também pode contribuir para menos aglomerações em locais fechados, diferentemente do cenário da atual temporada de outono e inverno do Hemisfério Norte, pontua o médico.

Dada a tradicional adesão dos brasileiros à vacinação, Tupinambás espera que o Brasil consiga controlar a pandemia até antes de nações europeis e dos Estados Unidos. “O Programa Nacional de Imunizações, com mais de 45 anos de experiência, tem uma aceitação e confiança muito grande da população, além de facilidade de vacinação”, conclui.

Em coletiva de imprensa na última semana, o secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, o médico Fábio Bacchretti, também destacou o apreço do brasileiro pelas vacinas. “Estamos atentos, obviamente, mas não acredito que tenhamos uma quarta onda, com a Europa está tendo, porque estamos em uma época do ano de menor incidência de doenças respiratórias, acelerando a vacinação e com um Estado e um país que aderem muito à vacina”, afirmou.

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1 Comentário
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Cornelia Renata Gorgen Gorgen
16 de novembro de 2021 21:36

Final de ano chegando, viagens, coloquem equipes de vacinação nos aeroportos, nas rodoviárias e principais pedágios, somente vacinados poderiam viajar. Cuidado turismo é perigoso, o risco de mais variantes é alto.

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