Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de agosto de 2018
Nessa quinta-feira, o governo do Equador anunciou que todos os estrangeiros agora precisam apresentar os seus passaportes para entrar no país. A medida faz parte da tentativa de conter o crescente número de imigrantes venezuelanos em fuga de sua terra natal.
A decisão está valendo desde o último sábado. Os membros da Comunidade Andina, que incluem a Venezuela e o Equador, têm um acordo existente que permite aos cidadãos cruzarem as fronteiras entre os países membros com apenas seus cartões de identidade nacionais, como também acontece no Mercosul.
Isso vinha sendo um facilitador significativo para os imigrantes venezuelanos, que lutam para obter passaportes em meio à escassez crônica em seu país.
“A partir deste sábado, o governo exigirá que qualquer pessoa que entre no Equador apresente seu passaporte”, disse o ministro do Interior, Mauro Toscanini. Ele não especificou se a medida visava a imigração venezuelana, mas acrescentou que o Equador quer que a Venezuela faça esforços para que “seus cidadãos não precisem passar pela tão difícil situação de ter que deixar seu país.”
Os imigrantes venezuelanos estão demorando dias em viagens de ônibus pela América do Sul, muitas vezes cruzando o Equador a caminho de Chile ou Peru, porque não podem pagar por um vôo com seus salários, desvalorizados por uma inflação que, conforme uma projeção do FMI (Fundo Monetário Internacional), pode chegar a 1 milhão por cento neste ano.
Quito declarou estado de emergência em três províncias neste mês, após um pico de imigrantes venezuelanos cruzando a fronteira entre Equador e Colômbia no alto das montanhas andinas. Autoridades disseram que cerca de 4,5 mil venezuelanos vêm atravessando diariamente – em comparação com cerca de 500 a mil anteriormente.
O presidente do Equador, Lenin Moreno, distanciou seu país de Caracas desde que assumiu o cargo, no ano passado. A onda de imigração também azedou a opinião pública em relação à Venezuela no país vizinho, de cerca de 16 milhões de habitantes.
Informações
O governo Moreno não fornece dados sobre o número total de venezuelanos que vivem no país, mas um funcionário do Ministério das Relações Exteriores disse a uma rádio local que cerca de 600 mil venezuelanos entraram no Equador até agora neste ano, sendo que 109 mil permaneceram no país.
Pedindo esmolas ou vendendo bugigangas, os venezuelanos são agora comuns na capital Quito. Como em boa parte da América Latina, alguns moradores locais temem que venezuelanos em situação de desespero estejam prejudicando o mercado de trabalho.
Os comentários estão desativados.