Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de janeiro de 2019
O Parlamento venezuelano, controlado pela oposição, declarou neste sábado (5) que o novo mandato de Nicolás Maduro é ilegítimo. O novo governo terá início na próxima quinta-feira (10). Segundo o Parlamento, a partir deste dia a presidência será usurpada.
“Reafirmamos a ilegitimidade de Nicolás Maduro (…). A partir de 10 de janeiro, estará usurpando a Presidência e, consequentemente, esta Assembleia Nacional é a única representação legítima do povo”, disse o novo presidente do Legislativo, Juan Guaidó, após tomar posse do cargo.
A decisão do Parlamento de não reconhecer Maduro não terá efeito, porque suas decisões são derrubadas pelo Supremo Tribunal, alinhado ao oficialismo. Denunciando uma “fraude” para perpetuar o governante socialista na Venezuela, os principais partidos da oposição boicotaram as eleições, embora suas principais figuras já estivessem inabilitadas ou presas.
Na sexta-feira (4), o Grupo de Lima, apoiado pelos Estados Unidos, pediu ao presidente que não tome posse e ceda poder ao Legislativo até que eleições livres sejam realizadas. Os países que integram o grupo, no entanto, decidiram não cortar relações diplomáticas com a Venezuela e, sim, reavaliar o nível dessas relações. De acordo com a legislação de cada país, a orientação é impedir a entrada de altos funcionários do governo venezuelano e aplicar sanções financeiras contra eles.
“Espero que o Maduro examine sua consciência e veja que é uma oportunidade que ele tem de deixar o poder com um mínimo de dignidade, talvez, se é que ainda existe, e que pare o sofrimento do povo venezuelano que está sendo oprimido por uma ditadura”, disse o novo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo.
Araújo também sustenta que o único órgão que tem legitimidade para assumir o poder no país vizinho seria a Assembleia Nacional, eleita em 2015.
Reeleição de Maduro
Maduro, de 56 anos, foi reeleito no dia 20 de maio em eleições antecipadas convocadas pela Assembleia Constituinte, órgão oficial de poder absoluto que na prática substituiu o Legislativo, única entidade controlada pela oposição.
Apenas um rival de peso, o dissidente chavista Henri Falcón, desafiou Maduro, aprofundando as divisões entre os opositores.
Grupo de Lima
O Grupo de Lima foi criado em 2017 por iniciativa do governo peruano com o objetivo de pressionar para o restabelecimento da democracia na Venezuela. Além do Brasil e do Peru, mais 11 países integram o grupo – Argentina, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Chile, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá e Paraguai.
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