Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de agosto de 2019
O partido de Alberto Fernández e Cristina Kirchner publicou uma nota na quinta-feira (15) em que pede para que o Ministério das Relações Exteriores argentino se pronuncie sobre as manifestações do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, sobre as eleições no país vizinho. As informações são do portal de notícias G1.
“O Partido Justicialista (peronista) repudia o silêncio da chancelaria argentina frente às declarações do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que representam uma falta de respeito ao povo argentino que expressou livremente sua vontade soberana no processo eleitoral em curso.”
Bolsonaro disse, na quarta-feira (14), que “bandidos de esquerda começaram a voltar ao poder” na Argentina, em uma alusão à vitória da chapa de Fernández e Kirchner nas eleições primárias
Nas eleições primárias, a chapa de esquerda teve mais de 47% dos votos, contra cerca de 32% de Mauricio Macri, o atual presidente que tenta a reeleição e um aliado de Bolsonaro.
Se esse resultado for repetido no primeiro turno das eleições argentinas, no dia 27 de outubro, Fernández será eleito.
Críticas de Bolsonaro
Na sua primeira declaração sobre o tema, o brasileiro disse que o resultado colocava a Argentina “no caminho da Venezuela” e afirmou que não quer “irmãos argentinos fugindo para cá”.
O candidato que lidera a corrida, Alberto Fernández, disse em um programa de TV que Bolsonaro é “racista, misógino e violento”.
“Com o Brasil, teremos uma relação esplêndida. O Brasil sempre será nosso principal sócio. Bolsonaro é uma conjuntura na vida do Brasil, como Macri é uma conjuntura na vida da Argentina”, afirmou.
O brasileiro, então, voltou ao tema. Ele afirmou que “nas primárias, bandidos de esquerda começaram a voltar ao poder” e que o peso (a moeda argentina) se desvalorizou e o risco-país subiu em decorrência do voto dos argentinos.
Partido cita direito à autodeterminação
A nota do Partido Justicialista cita mais de uma vez a soberania argentina.
“Instamos a chancelaria argentina a cumprir com o seu dever institucional e fazer o princípio internacional de não-ingerência de um governo estrangeiro em assuntos internos da Argentina ser respeitado, o que implica fazer a nossa soberania nacional e o direito à autodeterminação do povo argentino serem respeitados.”
O texto do partido diz ainda que confiam que assim que começar uma nova etapa da relação, o discurso de ódio ficará para trás, “não só na Argentina, mas em toda a Pátria Grande” (uma expressão para se referir à América Latina).
A nota termina com uma citação de Juan Perón, que foi presidente argentino nos anos 1950 e 1970, que dizia que os dois países devem ser unidos para compartilhar o futuro.
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