Sexta-feira, 03 de Julho de 2020

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Brasil Pastor pede boicote à empresa que veicula comerciais com gays

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No ar desde o dia 24 de abril, o comercial da rede de cosméticos O Boticário retrata a troca de presentes, no Dia dos Namorados, entre casais hétero e homossexuais. (Fotos: Reprodução)

O pastor Silas Malafaia pegou carona na polêmica envolvendo a nova campanha para o Dia dos Namorados da rede de lojas de cosméticos O Boticário, que retrata os mais diferentes tipos de amor. Em um vídeo publicado em sua conta no YouTube (vídeo) o religioso pede para que as pessoas boicotem a empresa e qualquer outra que “promova o homossexualismo”.

“Quero conclamar as pessoas de bem a boicotar os produtos dessas empresas como O Boticário. Vai vender perfume para gay!”, esbravejou Malafaia, desejando, logo em seguida, a “benção de Deus para todos”.

O comercial

No ar desde o dia 24 de abril, o comercial da rede de perfumarias O Boticário retrata a troca de presentes de Dia dos Namorados entre casais hétero e homossexuais. Grupo conservadores se organizaram para realizar diversas ações contra o anúncio. Incentivados por uma corrente que circula por redes sociais e pelo WhatsApp, internautas passaram a sugerir um boicote à empresa e se juntaram para classificar negativamente o vídeo na conta oficial da companhia no YouTube (vídeo). Até essa sexta-feira (5), o filme já havia sido visto por cerca de 3 milhões de pessoas na internet.

Em comunicado, O Boticário informou que “acredita na beleza das relações, presente em toda sua comunicação” e que a proposta da campanha é “abordar, com respeito e sensibilidade, a ressonância atual sobre as mais diferentes formas de amor – independentemente de idade, raça, gênero ou orientação sexual – representadas pelo prazer em presentear a pessoa amada no Dia dos Namorados”. Por fim, a companhia de cosméticos reiterou que “valoriza e respeita a diversidade de escolhas de pontos de vista”.

Nas redes sociais, a campanha da perfumaria gerou comentários homofóbicos. “Fiquei muito insatisfeita em assistir a um comercial onde ocorre a banalização das famílias tradicionais, e onde aparecem famílias homossexuais, como se fosse normal”, escreveu uma mulher no site de reclamações Reclame Aqui (vídeo).

Diante de mais de 300 reclamações de consumidores sobre uma propaganda da rede de perfumarias O Boticário que mostra casais gays, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) decidiu abrir processo ético interno para analisar o anúncio.

Em vídeo, pastor pede que as pessoas boicotem empresas que promovam o homossexualismo. (Reprodução)

Em vídeo, pastor pede que as pessoas boicotem empresas que promovam o homossexualismo.

O vídeo do pastor

O líder evangélico Silas Malafaia propôs em vídeo divulgado na noite de terça-feira (2) o boicote a empresas que associam seus produtos ao público gay, particularmente O Boticário. A rede de perfumarias lançou recentemente uma campanha para o Dia dos Namorados em que há dois casais gays – dois homens e duas mulheres.

Exaltado, Malafaia, conhecido pelo discurso contra homossexuais, pede que evangélicos, católicos, espíritas e ateus fiquem contra as empresas que fazem algum tipo de campanha voltada a esses consumidores. Em outro trecho do vídeo, Malafaia defende o modelo de família formado por homem e mulher: “Eu tenho direito de preservar macho e fêmea. Nós somos a maioria”, exaltou.

O pastor chamou de “ditadura da opinião” o fato de ser criticado pela posição contrária aos gays. “Eu posso criticar qualquer comportamento”, argumentou no vídeo.

A gravação de Malafaia, que dura quase três minutos, termina com a proposta: “Vamos dizer não. Deus abençoe a todos. Deus abençoe você e sua família”. O vídeo foi assistido, até essa sexta-feira, por cerca de 430 mil internautas.

Em sua conta no Twitter, o pastor publicou, juntamente à gravação, frases do tipo “Vamos boicotar O Boticário” e “Não adianta chorar! Tenho o direito de criticar o comportamento gay”.

No mesmo dia em que Malafaia divulgou o vídeo de boicote, foi confirmado pelo Conar que cerca de 20 consumidores entraram com queixas contra a empresa de cosméticos e o comercial com casais gays.

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