Sábado, 04 de Abril de 2020

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Brasil Pesquisadores apontam outro navio suspeito pelo vazamento de óleo no litoral do Nordeste

Até o momento, investigação encontrou apenas "indícios". (Foto: Marinha do Brasil)

Um navio petroleiro que teria desligado seu sistema de rastreamento e passado oculto dos radares na costa brasileira será apresentado na quinta-feira (21) ao Senado como um dos suspeitos de derramar o petróleo que atinge cidades do Nordeste desde 30 de agosto. As informações são do portal G1.

Segundo o professor da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), Humberto Barbosa, a embarcação fugiu da sua rota e navegou por águas internacionais no mesmo período em que o óleo que atinge o Nordeste teria sido derramado no mar.

O pesquisador do Lapis (Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite), da Ufal, disse que seu grupo tem compartilhado informações com uma Comissão Especial do parlamento e explicou que os especialistas vão apresentar as suspeitas em uma audiência pública nesta semana.

A equipe do laboratório trabalha em hipóteses sobre o desastre desde o começo da crise. No fim de outubro, o grupo comandado por Barbosa apontou ter identificado uma mancha característica de óleo, na região sul da Bahia, com 55 km de extensão e 6 km de largura, a uma distância de 54 km da costa do Nordeste. Os pesquisadores suspeitavam que pudesse haver ligação entre o óleo e vazamento no pré-sal.

A Marinha analisou os dados e negou relação entre as imagens e o petróleo nas praias nordestinas. Em nota técnica, o Ibama descartou que o uso de satélites possa identificar o vazamento e negou que seja óleo a mancha vista no Sul da Bahia no dia 28 de outubro.

Pouco tempo depois, no início de outubro, o grupo de pesquisa localizou outra mancha, desta vez no litoral do Rio Grande do Norte, que poderia ter relação com o derramamento de óleo. A imagem, capturada no dia 24 de julho, mostraria uma mancha de um fluido, possivelmente petróleo, seguida por dois navios.

Ao todo, foram encontradas 111 embarcações que navegaram pela costa brasileira na região onde suspeitam que tenha ocorrido o vazamento.

O especialista em imagens de satélite disse que, entre as embarcações, uma apresentou um comportamento suspeito ao viajar com o sistema de comunicação desligado. Além disso, a equipe do laboratório investigou o itinerário do petroleiro e seu histórico.

A embarcação tem bandeira de um país asiático que Barbosa preferiu não identificar e percorre a rota Ásia-África-América com frequência, e transportava petróleo venezuelano. Além disso, o pesquisador destaca o que seria uma manobra “extremamente anômala” da embarcação, que parte em direção dos Estados Unidos antes de retornar à rota original.

O pesquisador preferiu não divulgar o nome da embarcação porque disse acreditar que a investigação não compete à universidade.

“A missão do Lapis foi levantar dados, transformar em informações e gerar conhecimento para que as autoridades possam investigar. (…) O laboratório não sente confortável em divulgar essas informações até que a gente converse com as autoridades”, disse Barbosa.

Entretanto, o especialista dá pistas sobre a embarcação que recentemente passou pela costa com destino a Venezuela e agora está em seu trajeto de retorno ao país de origem contornando Guiana Francesa.

O petroleiro está sendo monitorado pela equipe de pesquisadores do laboratório e deve se aproximar ainda nesta semana da costa nordestina.

Em nota, a Marinha do Brasil se posicionou com relação à hipótese apontada pelo pesquisador da Ufal:

“Em relação à hipótese levantada pelo Lapis (Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites), sobre um eventual derramamento de óleo ocorrido por um navio a 26 km da costa da Paraíba, em 19 de julho, o GAA (Grupo de Acompanhamento e Avaliação) informa que:

O Centro de Hidrografia da Marinha, por meio do estudo das correntes oceânicas e simulações computacionais, concluiu que a hipótese apresentada não geraria o espalhamento de manchas que foi observado em nosso litoral, principalmente no sul do Estado da Bahia e norte do Estado do Espírito Santo. Ademais, o óleo apareceria no litoral bem antes de 30 de agosto, data do primeiro registro.

O Ibama, por meio de geointeligência, considerou que não existem elementos científicos para afirmar que a feição linear escura encontrada nas imagens de radar apresentadas pelo Lapis trata-se de vazamento de óleo, sendo provável que seja fenômeno natural formado pelo rastro de um navio.

O ineditismo dessa ocorrência exigiu o estabelecimento de protocolo próprio de investigação, demandando a integração e coordenação de diferentes organizações e setores da sociedade, além de ampla troca de informações com organismos internacionais. Nesse sentido, o GAA estabeleceu uma coordenação científica com apoio de mais de 100 pesquisadores e cientistas de Universidades e Institutos de Pesquisa. Os estudos e metas contemplam ações de curto, médio e longo prazo.

A Marinha do Brasil e demais colaboradores, nacionais e estrangeiros, permanecerão conduzindo a investigação até que todas as questões envolvidas sejam elucidadas.”

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