Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 26 de maio de 2015
O século 21 corre risco de se tornar um “buraco negro” sem informações a seu respeito. O alerta veio de fonte graduada: Vint Cerf, vice-presidente do Google e um dos pioneiros da internet. “Corremos o risco de perder muito da nossa história”, explicou o executivo, que lembrou que nossas fotos, e-mails, tweets e toda a World Wide Web existem apenas em formato digital, correndo sério risco de não serem recuperáveis no futuro.
O cenário descrito por Cerf já acontece. Um estudo desenvolvido e apresentado no encontro pela Biblioteca Nacional britânica, a partir de seu próprio arquivo web, mostrou que, em 2013, 20% dos sites deixaram de existir e 30% tinham mudado de endereço, em relação a 2014. É essa a preocupação que norteou o IIPC (Consórcio Internacional de Preservação da Internet), em inglês. O evento reuniu mais de 140 pessoas de aproximadamente 40 países na Universidade de Stanford, em Palo Alto, na Califórnia (EUA). Na pauta, a preservação da internet e de softwares. Cerf também participou do encontro do IIPC e declarou que se sentia mais aliviado ao ver a quantidade de pessoas presentes no encontro discutindo o tema.
Entre os projetos que merecem elogios, de acordo com Cerf, está o Olive Archive. Liderado pelo professor Mahadev Satyanarayanan, da Universidade de Carnegie Mellon, em Pittsburgh (EUA), a iniciativa conseguiu recuperar diversos softwares que hoje estão obsoletos, como Microsoft Office 6.0, de 1993, e o Netscape Navigator, de 1995. Para Cerf, quando a internet foi criada, não havia a preocupação de preservar o conteúdo, nem o design da rede permitia isso. O objetivo dos usuários era basicamente compartilhar. As experiências apresentadas no encontro do IIPC mostram que o arquivamento web vem ganhando força ao redor do mundo. Já são centenas de iniciativas feitas em instituições públicas, privadas e governos. O país que está mais adiantado é os EUA, com mais de 250 arquivos web.
Os arquivos web variam de tamanho e propósito. Os maiores são os governamentais, que capturam todo o conteúdo gerado no país a partir da lista de domínios da internet. Em alguns países, a preservação digital está prevista em lei. É o caso da França, que estendeu o chamado “depósito legal” para o conteúdo digital, determinando assim que a Biblioteca Nacional da França tenha uma cópia de tudo que for produzido on-line no território francês. Na outra ponta, existem os arquivos locais e específicos, que podem ser encontrados em muitas bibliotecas e instituições de ensino. Um exemplo é o da biblioteca de Columbia de Nova York (EUA), que tem um acervo de sites sobre a evolução urbanística da cidade e sobre direitos humanos.
Realidade nacional.
O Brasil ainda está fora dessa nova realidade. Sem uma política oficial de preservação, muitos de seus antigos sites sobrevivem graças ao software Internet Archive. Daniel Gomes, do Arquivo da Web Portuguesa, fez uma estimativa do tamanho da web brasileira, caso fosse arquivada. Levando em consideração que o conteúdo nacional é cinco vezes maior do que o português, que cresce a 10 terabytes por ano, a brasileira teria na sua primeira coleta 50 terabytes. (AE)
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