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Ciência Pesquisadores sugerem que a Terra pode estar dentro de um imenso “vazio” no universo

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Os pesquisadores agora pretendem testar sua hipótese com outros métodos de medição da expansão cósmica. (Foto: Reprodução)

Cientistas da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, apresentaram uma nova hipótese para explicar um dos dilemas mais intrigantes da astrofísica: a chamada “tensão de Hubble” – uma discrepância nas medições da velocidade de expansão do universo.

A proposta, revelada nesta semana durante o Encontro Nacional de Astronomia da Royal Astronomical Society, sugere que a Terra (e toda a Via Láctea) pode estar localizada dentro de um gigantesco “vazio” cósmico – uma região com densidade de matéria abaixo da média universal.

A teoria se baseia em dados de ondas sonoras primordiais, conhecidas como oscilações acústicas de bárions (BAOs, na sigla em inglês), que são os “ecos” do Big Bang. Essas ondas, que ficaram congeladas no espaço quando o universo esfriou o suficiente para formar átomos neutros, servem como uma espécie de régua para medir a história da expansão cósmica.

“Mostramos que um modelo com um vazio é cem milhões de vezes mais provável do que um modelo sem vazio ajustado apenas para encaixar as observações do satélite Planck”, diz o astrofísico Indranil Banik, autor do estudo.

O que é a tensão de Hubble? O problema começa com o fato de que, ao medir a taxa de expansão do universo – o chamado constante de Hubble –, cientistas obtêm resultados diferentes dependendo da metodologia usada.

As medições feitas com base na radiação cósmica de fundo, que mostra o universo nos seus primeiros momentos, indicam um ritmo de expansão mais lento. Já as observações feitas com galáxias próximas, no “universo atual”, apontam para uma expansão mais acelerada.

Essa discrepância é chamada de “tensão de Hubble” e desafia os modelos cosmológicos mais aceitos.

A hipótese do vazio

Segundo Banik, a presença de um “vazio local” pode explicar essa diferença. A ideia é que estamos em uma região com cerca de um bilhão de anos-luz de raio e com uma densidade cerca de 20% menor do que a média universal.

Por causa disso, a matéria ao redor seria puxada para regiões mais densas, o que daria a falsa impressão de que tudo está se afastando de nós mais rapidamente do que realmente está.

“Esse vazio faria com que a velocidade com que os objetos se afastam de nós fosse maior do que se estivéssemos em uma região homogênea”, afirma Banik. “Isso explicaria por que medimos uma taxa de expansão local mais rápida.”

Contagens diretas de galáxias na vizinhança também parecem apoiar essa ideia: há menos galáxias ao nosso redor do que em outras regiões do universo.

Ideia controversa

A proposta, no entanto, não é consenso. A existência de um vazio tão grande entra em conflito com o modelo padrão da cosmologia, que pressupõe que, em grandes escalas, a matéria no universo é distribuída de forma mais ou menos uniforme.

Ainda assim, o novo estudo fortalece a hipótese ao reunir duas décadas de dados de BAOs e demonstrar que o modelo com vazio se encaixa melhor aos dados do que as versões tradicionais.

O que vem a seguir? Os pesquisadores agora pretendem testar sua hipótese com outros métodos de medição da expansão cósmica, como os cronômetros cósmicos – galáxias que já não formam mais estrelas. A partir da idade dessas galáxias e do desvio para o vermelho de sua luz, os astrônomos conseguem estimar o ritmo de expansão do universo ao longo do tempo.

Se os dados continuarem apontando para essa anomalia local, a hipótese do “vazio cósmico” pode ganhar ainda mais força – e forçar os cosmologistas a repensarem os pilares da compreensão atual do universo.

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