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Comportamento Pesquisas na internet relacionadas a ansiedade e pânico nunca foram tão altas

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Relatório indica que busca foi quase cinco vezes maior do que em 2014. (Foto: Reprodução)

No último mês de agosto, o interesse dos brasileiros em procurar no Google termos relacionados a ansiedade foi quase cinco vezes maior do que o contabilizado no mesmo mês em 2014. O pico histórico da curiosidade em relação ao tema foi em abril deste ano. Ou seja, nunca quisemos saber tanto sobre ansiedade e seus desdobramentos. O aumento foi detectado em um relatório produzido pela empresa de análise de dados Bites. O mesmo estudo apontou que a disposição em saber mais sobre remédios específicos para o transtorno de ansiedade chegou a crescer dez vezes em 17 anos.

Ao todo, os brasileiros dedicaram cliques às buscas sobre ansiedade 48 milhões de vezes nos últimos 12 meses, à frente da Alemanha, do Reino Unido e da Espanha, e atrás apenas dos Estados Unidos. A título de comparação, a pesquisa pelo termo “democracia” ao longo do mesmo período acumulou 7,9 milhões de buscas. A pesquisa leva em conta os cerca de 150 milhões de pessoas que moram no país e têm acesso à internet. Pelas mãos desse público, a vontade de procurar páginas que oferecem informações sobre ataques de pânico é quase cinco vezes maior do que as aferidas em janeiro de 2004.

“O Google é o mais próximo do que poderíamos chamar de inconsciente coletivo digital, porque as buscas são anônimas. Ninguém precisa dizer (para os outros) que está pesquisando sobre ansiedade ali”, afirma Manoel Fernandes, diretor da Bites.

As buscas, realizadas de maneira discreta na plataforma do Google, estão de mãos dadas com o que psicólogos e psiquiatras observam em seus consultórios. Os especialistas perceberam um crescimento nos sentimentos de angústia, temores diversos, relatos de tristeza, melancolia, cansaço, entre outros, sobretudo nos últimos meses, com a clausura — e tantas outras complicações de ordem financeira, afetiva e emocional — impostas pela Covid-19.

Saúde mental

Um estudo recente divulgado pela farmacêutica Pfizer em parceria com a consultoria Ipec, por exemplo, mostrou que, entre os jovens com idades entre 18 e 24 anos, metade avalia sua saúde mental como ruim ou muito ruim. No mesmo grupo, somente 4% classificam o bem-estar mental como algo muito bom. A análise lança luz sobre o atual período, afetado pela pandemia do coronavírus. O levantamento levou em conta 2 mil respondentes de todas as idades.

“Agora estamos enfrentando problemas relacionados à pandemia de maneira muito mais complexa. A primeira questão é encontrar formas de conviver com o vírus e entender que alguns aspectos da vida não vão voltar a ser o que eram antes (da Covid-19). Além disso, outras questões que não são relacionadas ao coronavírus também ganharam maior atenção, como os riscos do aquecimento global”, diz Ilana Pinsky, psicóloga clínica, autora do livro “Saúde emocional: como não pirar em tempos instáveis” e consultora da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O aumento de buscas na internet é um tema complexo e que não se resume, simplesmente, ao crescimento da angústia na sociedade, em geral. Há por trás desse fenômeno, também, o avanço da categorização formal do que significam certos sofrimentos. Se antes alguns quadros eram considerados, somente, uma angústia, hoje essa queixa pode ganhar um rótulo relacionado a um transtorno específico, a exemplo da síndrome do pânico. Esse fenômeno está relacionado à publicação da quinta edição do “Manual de diagnóstico e estatístico de transtornos mentais”, da Associação Americana de Psiquiatria, explica a professora Paula Peron, do curso de psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

O guia, publicado em 2013, trouxe um aumento importante no número de diagnósticos disponíveis para consulta. A especialista explica que essa categorização teve impacto direto em relação a como o paciente encara o próprio estado de saúde. E, por vezes, pode se mostrar prejudicial.

“Isso incide completamente sobre a compreensão que a pessoa tem de seu próprio sofrimento”, diz a especialista.

Peron afirma que, em alguns casos, em vez de o paciente procurar uma justificativa para a angústia que sente, ele atribui a situação somente à doença e deixa de procurar entender a relação daquilo com a própria vida.

Nesse cenário, faz-se ainda mais necessária a busca por especialistas que possam oferecer apoio e tratamento em momentos nos quais o paciente nota um aumento na tensão, na tristeza, na agonia ou na ansiedade.

“Há o risco de que as pessoas procurem on-line uma solução rápida para os seus problemas. Em alguns casos, não há a busca clara para sair da angústia, mas somente uma medicalização do quadro”, afirma a psiquiatra Camila Magalhães, ligada ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Siga as pistas

A psicanalista Márcia Tolotti afirma que, embora exista um maior conhecimento da gravidade de transtornos de ordem psicológica, ainda é comum o comportamento de pacientes que querem resolver sofrimentos mentais sérios com seus próprios recursos, sozinhos, sem buscar ajuda médica.

“A pessoa nega que tem um problema mais grave e vai procurar um caminho mais fácil. Tem também uma pressão social, uma ideia de que, se a pessoa “se esforçar”, ela vai conseguir. São mitos que reforçam que ela sozinha dará conta”, explica Tolotti.

Há, nesse aumento de buscas, porém, um luminoso caminho para a criação de políticas públicas que estejam mirando no que aflige a população, explica a psicóloga Ilana Pinsky.

O Google figuraria, neste caso, como um bom confidente, que protege a identidade de quem busca por ajuda, mas oferece pistas a quem pode colaborar para a construção de mecanismos de apoio a quem precisa.

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