Domingo, 20 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de setembro de 2026
As pessoas com deficiência (PCDs) enfrentam mais dificuldades para acessar o mercado de trabalho e recebem rendimentos quase 30% menores do que as pessoas sem deficiência, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados fazem parte do informativo Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, divulgado na sexta-feira (18) pelo instituto.
Em 2022, o Brasil tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais de idade, de acordo com o levantamento.
Segundo o IBGE, enquanto as pessoas com deficiência recebem, em média, R$ 2.053 por mês pelo trabalho exercido, aquelas sem deficiência têm rendimento médio de R$ 2.890.
A diferença aparece em todos os grupos de atividade analisados, com destaque para a indústria (-29,3%) e para os serviços de informação, atividades financeiras e outras atividades profissionais (-31,3%).
Na manufatura, por exemplo, o rendimento médio das pessoas com deficiência é de R$ 1.859, enquanto o das pessoas sem deficiência chega a R$ 2.630.
Já nos setores de informação, atividades financeiras e outros serviços, o rendimento médio mensal dos PCDs é de R$ 2.754, ante R$ 4.008 entre aqueles sem deficiência.
As barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência para ingressar no mercado de trabalho também aparecem no nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas em idade de trabalhar que efetivamente têm uma ocupação. Enquanto o índice era de 55,8% entre pessoas sem deficiência, chegava a 29% entre PCDs, uma diferença de 26,8 pontos percentuais.
Segundo Luanda Chaves Botelho, responsável pela Coordenação de População e Indicadores Sociais (Copis) do IBGE, a população com deficiência enfrenta uma série de barreiras no mercado de trabalho.
“Temos uma sequência de obstáculos que vão se colocando (para as pessoas com deficiência). Além da barreira de conseguirem uma ocupação, essas ocupações são piores, com menor contribuição à Previdência e menos direitos de proteção social”, explica.
Os dados do instituto também mostram que, quando consideradas todas as fontes de renda, os rendimentos do trabalho têm participação menor no orçamento das famílias que contam com pessoas com deficiência do que naquelas sem moradores nessa condição.
“Quando olhamos para as famílias que têm pessoas com deficiência, o nível de ocupação tende a ser menor. Essa população enfrenta mais dificuldades para estar no mercado de trabalho e, portanto, para obter rendimentos”, explica André Simões, pesquisador do IBGE, lembrando que a renda também costuma ser menor nesse grupo.
Nesse cenário, a parcela de outras fontes de renda acaba sendo maior. “Outro fator que contribui para esse resultado é que a população com deficiência tem um perfil mais envelhecido e, portanto, uma participação maior de aposentadorias, pensões e outros benefícios”, completa Simões.
Crianças
O informativo do IBGE também identificou maior incidência de pobreza entre pessoas com deficiência em todos os grupos etários analisados, especialmente entre crianças de 2 a 14 anos.
Segundo o instituto, 60,9% de crianças nessa faixa etária são consideradas pobres. O IBGE considera abaixo da linha da pobreza as pessoas com rendimento domiciliar per capita inferior a R$ 770 por mês.
O cenário se repete em outras fases da vida: pessoas com deficiência apresentaram índices de pobreza superiores aos observados entre aqueles sem deficiência em todos grupos etários avaliados.
“Pessoas com 60 anos ou mais também apresentam menor incidência de pobreza, tanto entre aquelas com deficiência quanto entre as sem deficiência, porque recebem mais benefícios, aposentadorias e pensões”, diz Simões.
O IBGE também mostrou que a maioria das crianças e adolescentes com deficiência que vivem abaixo da linha da pobreza mora com a mãe ou madrasta e o pai ou padrasto (53,5%) ou apenas com a mãe ou madrasta (35,1%). (Com informações do portal g1)
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