Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de maio de 2022
Passar poucas horas na cama pode “estragar” o esforço para perder peso após uma temporada de exercícios e alimentação regrada, mostram pesquisadores da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, em resultados de uma análise de grupos apresentada no Congresso Europeu sobre Obesidade, neste ano realizado na cidade de Maastricht, na Holanda.
Na pesquisa – ainda sem data de publicação em um periódico científico – utilizou-se uma escala para avaliar o sono dos participantes, medida entre 0 e 21 – sendo o número mais alto um indicativo de que o descanso é o “pior possível”. A partir daí, os especialistas dividiram os grupos, tendo em vista um recorte de tempo: os que dormiam mais de seis horas e os que não chegavam a esse patamar de duração de descanso.
Munidos da divisão dos participantes como bons e maus dormidores os especialistas encontraram indicativos de que os participantes que dormiam menos de 6 horas por noite aumentaram seu IMC – cálculo que avalia relação entre peso e altura – em 1,3 ponto a mais do que a média dos que passavam mais que 6 horas entre seus lençóis. Pessoas que alegaram ter má qualidade do sono, por sua vez, também tiveram ganho de 1,2 ponto do IMC, após um ano da perda de peso, quando comparados com os que não relataram qualquer problema para descansar.
O índice utilizado para avaliar a qualidade de sono dos participantes é o desenvolvido pela Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Nesta metodologia, os pacientes são induzidos a realizar uma avaliação de diversos aspectos de seu período de descanso. Entre eles: a duração de cada dormida, uso de medicação para adormecer, sonolência diurna e uma classificação genética de sua condição em períodos na cama. O resultado se dá por meio da pontuação entre 0 e 21. Quem marca mais de 5 pontos tem a qualidade das “dormidas” consideradas como ruins.
Pessoas com obesidade
Inicialmente, na mesma pesquisa, foram formados dois grupos de pessoas, com obesidade, que passaram por dietas para emagrecimento – de baixíssimo nível calórico, com apenas 800 kcal por dia – ao longo de oito semanas. Após a temporada, em média, os participantes do estudo perderam 12% de seu peso inicial.
A pesquisa contou com 195 adultos, com idades entre 18 e 65 anos, com IMC variando entre 32 e 43 pontos – o que engloba graus de I a III de obesidade. O acompanhamento com esses participantes se deu ao longo de 52 semanas.
No estudo houve o uso de um medicamento (liraglutida) versus grupo placebo, mas não foi observada diferença entre os que tomaram, ou não, o fármaco. Em outra mão, ambos os grupos foram submetidos a baterias de exercícios, com séries de spinning e treino funcional com 45 minutos de duração. Além disso, eles receberam incentivo de que mantivessem outras duas ocasiões de ginástica, mas sem supervisão de treinadores.
Embora o estudo não determine qual seja o funcionamento corporal específico que relacione a pouca qualidade do sono e o ganho de peso após uma temporada de emagrecimento, a pesquisadora Signe Torekov, professora da Universidade de Copenhague falou ao jornal O Globo sobre algumas pistas do que pode estar por trás da correlação.
“É possível que as pessoas que têm uma rotina ruim de sono sintam mais fome ao longo do dia. Outra análise possível é que essas pessoas, pela falta de descanso, tenham menos disposição para fazer os exercícios”, explicou.
Signe ainda diz que a perda de peso colabora com a melhora global do sono, quando se compara a qualidade do descanso antes e depois do emagrecimento. O estudo, apesar de estender uma lupa sobre a sociedade dinamarquesa, conversa diretamente a realidade brasileira. Análises da Associação Brasileira do Sono apontam que 65% brasileiros têm problemas para dormir.
Nos consultórios dedicados ao tratamento da obesidade também é bastante comum o aparecimento de quadros de apneia do sono, caracterizada por períodos de falta de ar quando uma pessoa adormece. Isso porque o excesso de peso impõe pressão na musculatura próxima ao sistema respiratório – a exemplo da região da traqueia – impedindo a passagem de oxigênio.
“A manutenção do sono é extremamente importante para a saúde, embora seja cada dia mais difícil ter boas noites diante do uso excessivo do celular e do computador. Períodos sem dormir bem elevam a presença de hormônios como o cortisol e a adrenalina, que colaboram ainda mais com o ganho de peso”, diz Fábio Viegas, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).
A atual pesquisa também está em consonância com outra análise que aponta o risco da baixa qualidade do sono publicado pela revista Nature Communications. A análise mostra que, para pessoas de meia idade, o sono de menos de seis horas por noite aumenta o risco de desenvolver demência, quando comparado com pessoas que dormem, em média, uma hora a mais. As informações são do jornal O Globo.
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