Sábado, 09 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 26 de dezembro de 2019
A Petrobras irá reajustar o preço do gás de cozinha em cerca de 5% a partir desta sexta-feira (27), segundo informações do jornal Folha de S.Paulo. A alta vale para todos os tipos de GLP (gás liquefeito de petróleo), que inclui botijões de uso doméstico (13 kg) e industrial (embalagens acima de 13 kg). Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o preço médio do botijão de 13 kg era de R$ 69,11 em novembro.
Este é o terceiro aumento seguido no preço do gás para botijões de 13 quilos. Em novembro, a companhia reajustou em 4% o preço do gás de cozinha. Em outubro, a alta foi de 5%. Após seis ajustes no ano (cinco aumentos e uma queda de 8,2%), o combustível tem alta acumulada de quase 10% no ano.
A política de preços da Petrobras prevê o acompanhamento de longo prazo das cotações internacionais, usando médias de 12 meses, com o objetivo de evitar o repasse ao consumidor brasileiro de efeitos sazonais, como aumento do consumo durante o inverno no hemisfério norte.
O ano tem sido de aumento generalizado no setor de gás. Houve também alta expressiva no gás natural. Dentre junho de 2018 e junho de 2019, o preço deste gás entregue a distribuidoras subiu, em média no país, quase 30%.
O preço do gás natural vendido pela Petrobras também acompanha a variação das cotações internacionais de óleos combustíveis e a taxa de câmbio. É ajustado a cada três meses, de acordo com a evolução dos indicadores em trimestres anteriores.
A alta em 2019 tem forte impacto da escalada do dólar a partir do período eleitoral, quando a moeda norte-americana chegou a bater a casa dos R$ 4,10. Neste ano, o dólar foi a R$ 4,26 e agora está na casa de R$ 4,063.
O governo Jair Bolsonaro (sem partido) considera o setor de gás estratégico e iniciou um programa para reduzir a pressão de preços no setor. O projeto prevê a redução da participação da Petrobras no gás e aumento da concorrência privada. O pacote em gestação inclui ainda outros três pilares: revisão do modelo tributário do setor, incentivo ao uso do gás para geração de energia e novo marco jurídico para a distribuição, para apoiar a figura dos consumidores livres de gás (que podem negociar o produto sem a distribuidora).
Redução de 1% no consumo
De acordo com informações do jornal O Globo, o presidente do Sindigás, que reúne as distribuidoras de GLP do país, Sérgio Bandeira de Mello, informou que houve uma redução de 1% no consumo de GLP na comparação entre novembro de 2018 e o mês passado, sendo que somente o consumo do GLP residencial teve uma queda de 1,4%.
Segundo o executivo, a retração da economia está levando à redução da demanda do GLP residencial. O consumo atual é da ordem de 610 mil toneladas por mês.
“A retração da economia está fazendo com que as pessoas consumam menos GLP, achatando as margens das distribuidoras”, diz Bandeira de Mello. “E, por conta da menor demanda, todos ficam com dificuldade de repassar para os preços finais os preços das refinarias. Se esse novo reajuste for confirmado, vai ter maior pressão na demanda.”
Os preços do GLP industrial e comercial eram diferenciados até novembro, quando passaram a ser unificados.
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