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Política Petrobras vai revisar tratamento para casos de assédio sexual

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Estatal criou GT para revisar protocolos internos para o recebimento e o tratamento das denúncias. (Foto: Divulgação/Petrobras)

Em entrevista, a diretora de Assuntos Corporativos da Petrobras, Clarice Coppetti, admitiu que não havia um tratamento padrão aos casos de assédio na empresa, por isso as denúncias acabavam em equipes e departamentos diferentes. Com isso, a Petrobras informou que criou um grupo de trabalho para revisar protocolos internos para o recebimento e o tratamento de denúncias de assédio e importunação sexual de funcionárias.

A medida foi tomada depois da revelação de que um grupo de WhatsApp foi criado por empregadas da Petrobras para trocar informações sobre casos de assédio cometidos nas instalações operacionais e escritórios da estatal nos últimos anos.

A notícia levou o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, a prometer reforçar ainda mais os controles na companhia contra o assédio sexual. Ele afirmou à coluna que defende uma política de tolerância zero nestes casos e já havia prometido ações neste sentido no início de março.

Segundo as informações compartilhadas pelas petroleiras no grupo, muitas denúncias já foram feitas à ouvidoria da estatal nos últimos anos, mas a punição, de acordo com os relatos, tem sido apenas trocar o assediador ou a vítima de setor. Algumas mulheres contaram que, nos dormitórios de plataformas, colocam cadeiras atrás da porta numa tentativa de se protegerem de assediadores.

“A nova gestão da companhia reitera que não tolera qualquer tipo de assédio e violência contra mulher. Ao longo de toda a análise, serão revistos os processos de proteção às denunciantes e de aplicação de punições, assim como as atribuições das áreas que são responsáveis pela apuração das denúncias. Também serão propostas ações para conscientização e prevenção de assédio em toda a companhia”, informou o comunicado da Petrobras divulgado na noite de ontem.

Segundo a estatal, o grupo de trabalho será coordenado pela gerente executiva de SMS (área responsável por saúde, meio ambiente e segurança), Daniele Lomba, e se reportará diretamente à diretoria executiva da Petrobras, liderada por Prates.

Entre os oito diretores da Petrobras escolhidos pelo atual presidente da estatal, há apenas uma mulher: Clarice Coppetti. Em toda a história da Petrobras, apenas uma mulher presidiu a estatal: Graça Foster, no governo de Dilma Rousseff.

A comissão criada pela Petrobras terá representantes de áreas administrativas e operacionais, com participação de funcionários de diferentes áreas como Presidência, Ouvidoria, SMS, Recursos Humanos, Conformidade, Integridade Corporativa, Inteligência e Segurança Corporativa, Exploração e Produção, Responsabilidade Social e Integração de Negócios e Participações.

No comunicado, a Petrobras se solidarizou com vítimas e frisou que tem um canal de denúncia à disposição no endereço https://www.contatoseguro.com.br/petrobras. A partir dos registros, a empresa promete tomar “as medidas cabíveis para apuração e aplicação de sanções”.

“A Petrobras manifesta sua total solidariedade a todas as mulheres que passaram por situações de constrangimento ou violência em seus ambientes de trabalho. A companhia estimula que as mulheres que tenham vivenciado ou estejam vivenciando situações de assédio sexual registrem seus relatos no Canal Denúncia”, diz a nota. “A Petrobras reforça seu compromisso com a proteção às vítimas e enfatiza que a privacidade e o acolhimento às denunciantes serão garantidos.”

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