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Brasil Piloto assume que erro de digitação quase provocou a colisão entre dois aviões próximos ao aeroporto de Brasília

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Erro fez com que piloto da Gol fizesse uma curva, invadindo a rota do voo da Avianca. (Crédito: Reprodução)

Áudio da conversa entre um piloto da Gol e a torre de comando do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitscheck, em Brasília, no Distrito Federal, aponta que um erro de digitação quase provocou a colisão entre dois aviões. Foi a segunda vez em nove dias que, por interferência do controlador de voo, um acidente do tipo foi evitado.

Esclarecimentos. 

A Gol informou que preza pelos mais altos padrões de segurança e que está em contato com as autoridades aeronáuticas para esclarecer o que aconteceu. O piloto que fala na gravação estava no comando do voo comercial da Gol GLO 1402, para Palmas. A outra aeronave era da empresa Avianca, que fazia o voo ONE 6291, com destino a Goiânia (GO).

Minutos após a decolagem, o piloto da Gol – que deveria seguir reto – fez uma curva à direita e invadiu a rota do voo da Avianca. No diálogo, a controladora de voo pergunta ao piloto da Gol o motivo da manobra. Confira.

O diálogo. 

Controladora: 1402, qual foi o motivo da curva à direita após a decolagem?
Piloto: Er… Vou dar uma conferida aqui, só um instantinho, para ver se está tendo alguma diferença entre a carta e o software.
Piloto: 1402. Foi um erro de digitação aqui. Queria desculpar.
A carta de saída padrão (documento que determina as instruções de rota) mostra que o avião da Gol deveria virar para a esquerda só quando chegasse ao ponto identificado como “kotvu”, a 18,5 quilômetros de distância.

Após o incidente, a FAB (Força Aérea Brasileira) decidiu suspender as decolagens simultâneas no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitscheck por tempo indeterminado. Segundo a Aeronáutica, a suspensão não vai prejudicar a operação dos voos no terminal. A medida tem validade até que a FAB conclua as investigações. Brasília é o aeroporto com maior capacidade de pista do país, com até 60 voos por hora.

Caso anterior. 

No dia 23 de fevereiro, duas aeronaves quase se chocaram durante a decolagem no Aeroporto de Brasília depois que uma delas desobedeceu às instruções do controlador de tráfego aéreo. Um deles estava deixando a cidade para buscar o marqueteiro João Santana, preso na Lava Jato, em São Paulo. O controlador percebeu a falha e pediu ao piloto da FAB para interromper o procedimento e, em seguida, alterar a rota.

A Aeronáutica ainda apura o caso. “Desde novembro de 2015, o Aeroporto de Brasília opera com decolagem simultânea, tendo em vista que as pistas são paralelas. No caso em questão, foram autorizadas duas decolagens simultâneas: aeronave de matrícula PR-BSI com destino a Guarulhos decolando da pista direita e a aeronave FAB 2582 decolando da pista esquerda”, diz nota da FAB. “A instrução do perfil de decolagem que foi confirmada pelo piloto da aeronave PR-BSI previa curva imediata à direita após a decolagem [conforme descrito na carta de decolagem]. Entretanto, o perfil executado pelo piloto contrariou a instrução recebida e a aeronave teve um deslocamento à esquerda, interferindo na decolagem da aeronave FAB 2582, que cumpria corretamente o seu perfil de decolagem”, registra o órgão. A FAB afirmou ainda que o controlador de tráfego aéreo “agiu prontamente para evitar maiores problemas”. (AG)

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