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Saúde Plano para vacinar crianças nos Estados Unidos mira compra de agulhas menores

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Aplicação do imunizante em 28 milhões de crianças pode começar ainda esta semana. (Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF)

Vacinação nas escolas, com filas pequenas e uso de agulhas menores. Somadas a isso, a diversidade étnica e a resistência dos pais. São alguns dos desafios técnicos e sociais do plano de vacinação em 28 milhões de crianças nos Estados Unidos. Nesta semana, um comitê externo de aconselhamento do FDA (agência americana equivalente à Anvisa) recomendou a liberação de imunizante da Pfizer para crianças entre cinco e onze anos.

Antes da aprovação definitiva do produto para a faixa etária, a Casa Branca já divulgou alguns planos para esse grupo, que promete ser bastante diferente da campanha para adultos. Mesmo com a agilidade em anunciar medidas, a Kaiser Family Foundation (KFF), organização sem fins lucrativos, avalia que haverá disparidades regionais na aplicação de doses. A proposta dos Estados Unidos também indica desafios para outros países. O Brasil tem mais tradição em campanhas nacionais de imunização, mas também tem profundas desigualdades regionais.

A recomendação do conselho do FDA não é decisão final, porém, a agência costuma seguir as indicações desse órgão. A KFF estima que a orientação de aplicação já deva estar oficializada entre 3 e 4 de novembro. “Sabemos que o acesso será crítico”, disse Sonya Bernstein, consultora de política sênior da Equipe de Resposta à covid. Por isso, acrescenta, o governo explorou como tornar mais amigável a experiência de vacinação às crianças.

“As crianças têm necessidades diferentes das dos adultos, e nosso planejamento operacional é voltado para atender a essas necessidades específicas”, disse o coordenador de resposta ao coronavírus dos EUA, Jeffrey Zients, à imprensa. “Inclusive oferecendo vacinas em ambientes com os quais os pais e crianças estão familiarizados e confiam.”

Para garantir o fornecimento, o governo diz ter comprado doses suficientes e que pretende enviar 15 milhões de doses para os Estados imediatamente. Além disso, quer garantir que cerca de 25 mil consultórios pediátricos ou de cuidados primários, milhares de farmácias, centenas de escolas e clínicas de saúde rurais estejam prontas para administrar injeções quando e se a vacina receber autorização federal.

A KFF destaca que a agilidade da campanha deve variar entre os Estados, por causa do tempo necessário para preparar locais de vacinação e aplicadores. A organização também aponta que a politização sobre o uso do imunizante pode prejudicar o avanço, mas a resistência dos pais preocupa mais no longo prazo.

Um desafio técnico que se apresenta na campanha é a necessidade de usar agulhas e frascos de tamanhos diferentes. Isso porque a dose da Pfizer usada em crianças, conforme a farmacêutica, é de 10 microgramas, um terço menor do que a aplicada em pessoas com mais de 12 anos. Os funcionários da Casa Branca adiantaram que os frascos das doses infantis podem ser armazenados por até dez semanas em refrigeração comum, e seis meses com temperaturas mais frias.

A KFF aponta uma vantagem no novo produto: as embalagens contêm menos frascos, o que pode facilitar o armazenamento. Porém, a espera pela chegada do produto adequado a pontos de vacinação pode atrasar o andamento da campanha. “Até agora, quando um novo grupo foi priorizado ou autorizado para a vacinação contra covid, os aplicadores poderiam simplesmente usar o suprimento existente para administrar a vacina”, pontua em documento.

“Não queremos filas de crianças”, adiantou Bernstein. A consultora avalia que crianças são pacientes mais sensíveis, que não combinam com o modelo de vacinação em massa utilizado com adultos. O foco, agora, serão locais menores, como consultórios pediátricos, hospitais infantis, farmácias e escolas. Nesse ponto, a KFF se preocupa com dois outros entraves: o tempo de formação de novos aplicadores e a preparação de novos postos de vacinação.

“Para jovens de 12 a 17 anos, alguns Estados, como Mississippi, incentivaram os fornecedores de vacinas a fazer parceria com escolas para oferecer vacinação no local”, aponta o documento da KFF. “Ao mesmo tempo, outros têm resistido à implementação de quaisquer requisitos de combate à covid nas escolas, inclusive o uso de máscara e a testagem.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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