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Geral Nas ruas, cariocas dizem que não estão seguros para abandonar o uso de máscaras em locais abertos

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Projeto aprovado no Rio de Janeiro dá autonomia ao Estado e municípios a publicar decretos flexibilizando o uso da proteção facial. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Mesmo após a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) aprovar na terça-feira (26) o fim do uso obrigatório de máscaras em ambientes abertos no Estado, muitos cariocas ainda não se sentem seguros e vão continuar usando o equipamento de proteção na cidade. O prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes, e o secretário municipal Daniel Soranz anunciaram a liberação da proteção facial, uma vez que a capital já alcançou o índice de 65% da população com o esquema vacinal completo contra a covid-19, pré-requisito estabelecido pela prefeitura.

O projeto aprovado, de autoria do presidente da Casa, André Ceciliano (PT), dá autonomia ao estado e municípios a publicar decretos flexibilizando o uso da proteção facial. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, sancionou a lei na tarde desta quarta-feira (27). No caso da capital, além do avanço da imunização, a prefeitura se baseou nas quedas dos índices de casos graves e mortes.

Na tarde de terça-feira, enquanto o texto ainda estava sendo votado pelos parlamentares, o jornal O Globo entrevistou pessoas em diferentes bairros da cidade. Mesmo já tendo completado seu esquema vacinal – inclusive com a dose de reforço – a aposentada Naíde Cruz, de 88 anos, se posicionou contra a flexibilização.

“Acho que ainda falta vacinarem mais gente para que seja tomada uma medida assim. Enquanto eu me sentir insegura, vou continuar andando de máscara. Independente de lei aprovada, vou continuar me protegendo”, afirmou a moradora de Laranjeiras, que diz nunca ter contraído a Covid-19.

Filha da idosa, Marta Cruz compartilha da mesma opinião.

“Tomei as duas doses da vacina e, para mim, ainda não é momento para flexibilizar o uso da máscara. Essa deveria ser a última medida a ser tomada”, disse, enquanto caminhava com a mãe no Largo do Machado.

Elizeu da Silva tem 28 anos e ainda não se vacinou. Ainda assim, se diz contrário à liberação das máscaras enquanto, pelo menos, 90% da população não estiver vacinada.

“Peguei Covid no ano passado, mas ainda não me vacinei por falta de tempo. Saio de casa de máscara e só estou sem ela agora porque aqui é um local bem aberto e arejado. Em breve, vou me vacinar, até porque uma hora vão me cobrar no trabalho. E mesmo com a liberação da máscara, vou continuar usando”, assumiu o promotor de vendas, na Praça Saens Pena, na Tijuca.

A poucos metros dali, sentado no banco da praça, o faturista Rodrigo Santos, de 42 anos, aproveitava o seu horário de almoço para descansar. Vacinado com as duas doses, ele estava de máscara.

“Eu sou a favor (da flexibilização) em lugares abertos, até porque o número de casos e mortes tem caído drasticamente. Particularmente, por trabalhar numa clínica de pneumologia, adquiri o costume de usar máscara o tempo todo”, alegou o morador do Alto da Boa Vista, que disse deixar a proteção facial de lado somente quando está em casa e no carro.

Problemas respiratórios

Enquanto descansava para retomar sua caminhada na orla de Copacabana, o morador do bairro Moacyr Branco se disse favorável à liberação das máscaras, apesar de já ter sido contaminado e apresentar sequelas até hoje.

“Sou a favor. Acho que já tem uma porcentagem boa da população vacinada. Muita gente já se contaminou e acabou ganhando uma certa imunidade também. Eu me encaixo nos dois casos: tomei a dose única em julho e, em setembro, fiquei seis dias internado no quarto do hospital por causa da Covid. Até hoje, minha respiração não voltou ao normal: tento correr, mas cansa muito. Estou melhorando aos poucos”, contou.

Também na orla de Copacabana, o aposentado Ricardo Albuquerque, de 76 anos, se disse contrário à liberação:

“Já peguei Covid, mas isso antes de tomar as minhas três doses da vacina. Felizmente, não precisei ser hospitalizado. Hoje, ando mais tranquilo na rua e até tiro a máscara quando vejo que não tem absolutamente ninguém por perto, mas acredito que estender a obrigação do uso por mais alguns meses seria o ideal. Achei essa medida meio precipitada.” As informações são do jornal O Globo.

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