Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020

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Brasil Planos de saúde no Brasil perdem 283 mil clientes em dois meses

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Os profissionais estrangeiros precisarão comprovar residência no Brasil para realizar o teste. (Foto: Reprodução)

Os planos de saúde no Brasil tiveram uma redução de 283.677 usuários entre março e maio: 47,113 milhões contra  46,829 milhões de pessoas, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A maior queda no número de beneficiários da saúde suplementar foi registrada nos contratos empresariais, o que reflete a crise econômica que se abateu sobre o país desde o início da pandemia do novo coronavírus.

De acordo com dados do IBGE, a taxa de desocupação ficou em 12,3% no trimestre encerrado em maio, a maior desde o início da série do instituto, em 2012. Já são 12,7 milhões de desempregados no Brasil, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc).

A segunda maior retração do setor foi registrada entre os planos individuais e familiares com uma redução da base de usuários nesses dois meses de 90.508 mil pessoas.

Na avaliação do advogado Marcos Patullo, especializado em direito à saúde do escritório Vilhena Silva Advogados,  a redução dos usuários de planos individuais está relacionada ao cancelamento de contrato em virtude da inadimplência:

“Com a queda na renda de muitos brasileiros, algumas pessoas enfrentarem dificuldades para negociar os valores das mensalidades com os planos de saúde, pois eles não abriam diálogo com os consumidores. A esperança de muitos caiu por terra após a ANS anunciar que apenas 9 das 1.200 operadoras aceitaram liberar o atendimento aos inadimplentes em troca de ter acesso a recursos de um fundo garantidor.”

A única alta registrada no período foi entre os planos coletivos por adesão (aqueles que podem ser firmados via associações de classe, sindicatos) que somaram 15.928 novos contratos.

Maio foi também o mês em que os  planos de saúde registraram o menor uso por seus beneficiários desde o início da série histórica iniciada pela ANS em 2016. A  suspensão de cirurgias e exames eletivos por conta da pandemia  por coronavírus, fez o desembolso das operadoras frente ao valor recebido de mensalidades cair de 76% abril para 66% em maio.

Na avaliação da agência reguladora, o cenário atual do setor em relação a usuários é de estabilidade, com pequenas oscilações em relação aos meses anteriores. Comparado a maio do ano passado, o número de usuários da saúde suplementar encolheu apenas 0,26%, de 46.953.877 para 46.829.760.

Vera Valente, diretora executiva da FenaSaúde – entidade que congrega as maiores empresas do setor – também diz que ainda não é possível se afirma que  queda de beneficiários registrada nos últimos dois meses pela ANS configura uma tendência ou é apenas mais uma oscilação. Ela lembra que em março o saldo positivo foi de 71 mil novos beneficiários no total de cobertura médico-hospitalar.

“O que é certo é que o setor de saúde suplementar precisa estar apto aos novos tempos, com mudanças regulatórias que permitam ampliar a oferta e o acesso e façam frente as maiores dificuldades dos contratantes decorrentes da crise econômica e da piora acentuada do mercado de trabalho em função da Covid-19”, ressalta a executiva.

A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) destaca ainda que o setor é diretamente impactado pelo número de empregos formais e renda da população.

Segundo o  índice mensal de Interesse por Planos de Saúde, desenvolvido pela Abramge com base em informações disponibilizadas pela ferramenta Google Trends, que medem a procura pelo tema,  o mês de junho atingiu 70,7 pontos, o menor patamar desde março de 2018.

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