Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 11 de junho de 2016
Os quatro policiais militares que participaram da perseguição que terminou com a morte de um menino de 10 anos na semana passada, no Morumbi, mudaram a versão sobre o momento em que um deles disparou. O advogado que defende os agentes disse, após acompanhar o depoimento de seus clientes à Polícia Civil de São Paulo, que o tiro foi dado antes de o carro furtado pelo garoto e seu amigo parar.
No dia da ação, os PMs tinham contado que os meninos bateram o carro na traseira de um caminhão e que, por isso, o veículo parou. “Neste momento, o motorista, de dez anos, atirou na direção dos policiais, havendo imediato revide”, informa o boletim de ocorrência registrado na data.
Agora, porém, eles dizem que o disparo ocorreu enquanto o veículo se movia. “Quando vocês percebem ali que o carro bate na traseira de um caminhão e a motocicleta cai, o tiro é antecedente à queda da motocicleta”, disse o advogado Marcos Manteiga, que defende os agentes. “Quando o policial da moto cai, ele já fica em pé, que ele está fazendo ainda a abordagem. Porque ele não sabe ainda se iria ter outra agressão ou não. Não há disparo de fogo naquele momento.”
Na sexta-feira (10), durante depoimento a policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que durou quase 11 horas, eles voltaram a dizer que agiram em legítima defesa, porque o garoto atirou na direção deles. A investigação quer esclarecer se a ação foi legítima ou se os policiais militares executaram o menino.
Ouvidoria
O depoimento foi acompanhado por Júlio César Fernandes Neves e Walter Foster Junior, ouvidores da polícia. “Nós viemos acompanhar para exercer a fiscalização social da atividade policia”, disse Neves enquanto o companheiro subia para acompanhar os relatos dos policiais.
Para ele, o caso necessita de uma atenção especial, já que a perícia apontou que a cena do crime foi alterada: “Enxergamos um problema gravíssimo e é por isso que estamos sugerindo que haja uma reconstituição desse crime, para que a verdade real seja buscada efetivamente”, afirmou.
Os agentes disseram logo após o caso que reagiram após o menino disparar três vezes. Um revólver calibre 38 com três estojos deflagrados (ou seja, que foram disparados) foi encontrado no interior do carro furtado.
O depoimento dos policiais é importante para sanar algumas dúvidas. O garoto que sobreviveu deu três versões diferentes sobre o caso. No boletim de ocorrência registrado na delegacia, o menino disse que foi procurado pelo amigo, que estava com uma arma de fogo, e que o teria convidado para roubarem um prédio no Campo Limpo, onde moravam pessoas “de posse”.
No dia seguinte, o advogado Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe), disse que o garoto mudou de versão. Ele negou que o menino que morreu tivesse disparado o terceiro tiro contra a PM com um revólver calibre 38, que foi apreendido.
“O que diferenciou foi que no final, no desfecho, quando batem o carro, não teria ocorrido um confronto. E nesse momento o policial teria disparado e atingido a cabeça do menino”, afirmou o advogado na ocasião.
Já no domingo passado (5), à Corregedoria da PM, o garoto alterou novamente a versão, desta vez, negando que ele e seu colega estivessem armados. Segundo o Condepe, o garoto de 11 anos alega agora que não houve troca de tiros, porque seu amigo de 10 anos não usava nenhuma arma e que o revólver calibre 38 foi “plantado” pelos policiais. (AG)
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