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Brasil Polícia Federal identificou um médico que estava em viagem à Europa no mesmo dia em que “bateu ponto” no SUS

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“Médicos fantasmas” do SUS são investigados pelo País. (Crédito: Reprodução)

Médicos chegam, batem ponto na entrada e vão embora. Atendem em clínicas particulares quando deveriam estar em hospitais públicos. Registram mais horas trabalhadas do que as que existem em uma semana ou são vistos no exterior no dia em que “bateram ponto”.

Em ao menos nove Estados e no Distrito Federal, órgãos como Tribunais de Contas, Polícia Federal e Ministérios Públicos identificaram e investigam casos de médicos “fantasmas”, que pouco ou nem aparecem no trabalho. Em muitos casos, com a conivência do poder público.

A maioria cita fraudes no registro de ponto, agravando as filas de pacientes que buscam atendimento no SUS (Sistema Único de Saúde).
Só em junho de 2014, a auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal identificou 25.735 faltas indevidas de funcionários da saúde, uma média de 15 por servidor – desde jornadas divergentes da escala prevista até médicos que trabalham em um local e batem ponto em outro. O controle da frequência é falho: em quase metade das unidades, não é eletrônico.

Em Santa Catarina e no Paraná, operações da PF (Polícia Federal) desvendaram esquemas de médicos que não atuavam em hospitais universitários para atender em clínicas particulares.

Em junho, 27 médicos do Hospital Universitário catarinense foram indiciados sob suspeita de fraudes nas folhas de ponto. O salário médio no local é de 20 mil reais.

A PF identificou um médico que estava em viagem à Europa no mesmo dia em que “bateu ponto”. Outro registrou 169 horas trabalhadas em uma semana – algo impossível mesmo se ele trabalhasse 24 horas por dia.

No Paraná, dez médicos do Hospital de Clínicas, com frequência média de 7% e salários de 4 mil reais a 20 mil reais, foram indiciados há dois meses sob suspeita de descumprirem a carga horária.

As fraudes nas folhas de ponto, com entradas e saídas falsas, foram descobertas após auditoria da CGU (Controladoria Geral da União) perceber a baixa produtividade.

As administrações de hospitais e gestores de saúde negam que haja conivência com as fraudes de médicos na rede pública e dizem que buscam aperfeiçoar os sistemas de controle de frequência.

A direção do Hospital Universitário catarinense afirma que os casos de 27 médicos indiciados estão em análise, mas eles continuam no hospital.

O Hospital de Clínicas do Paraná destaca que os dez médicos indiciados respondem a processo administrativo disciplinar e que as sanções serão aplicadas se comprovadas as fraudes. Os médicos não foram afastados.

Para o diretor de Defesa Profissional da Associação Médica Brasileira, Emilio Cesar Zilli, não há justificativa para as fraudes. “Se o médico está ganhando para exercer o trabalho, independentemente de ganhar pouco ou muito, tem que cumprir.” Ele diz, porém, que os salários e a falta de condições estimulam os profissionais a saírem do setor público. (Folhapress)

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