Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de setembro de 2026
A Polícia Federal intimou o banqueiro Daniel Vorcaro e o pai Henrique Vorcaro a prestarem depoimento no inquérito que apura a atuação dos grupos “A Turma” e “Os Meninos” para o dia 30 de setembro. Segundo as investigações, os dois grupos funcionavam como uma espécie de “milícia privada” que era acionada por Vorcaro para realizar ações de vigilância, coleta de informações em processos sigilosos, invasão de sistemas de informática e intimidação de pessoas contrárias aos interesses do banqueiro.
O interrogatório dos alvos representa a última etapa do inquérito antes de ser concluído. O depoimento havia sido adiado a pedido da defesa e depois foi remarcado pela PF para o fim deste mês.
Vorcaro e o pai estão presos preventivamente no âmbito desse inquérito que faz parte da terceira e sexta fase da Operação Compliance Zero, que apura as irregularidades envolvendo Vorcaro e o Master. O relator do caso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, apontou que o funcionamento dos grupos colocavam em risco as apurações em curso e, por isso, decretou a detenção deles.
O depoimento deve ocorrer por meio de videoconferência na parte da tarde do dia 30. Vorcaro está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como “Papudinha”, em Brasília; e o pai está detido na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG). Os delegados devem fazer as perguntas da sede da corporação na capital federal.
De acordo com as investigações, o pai de Vorcaro era responsável pelos pagamentos ao grupo A” Turma”, que era comandado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de Sicário. Ele também foi preso por ordem de Mendonça e tentou se matar na carceragem da PF, em Minas Gerais. Dias depois, ele morreu no hospital em decorrência do ato extremo.
Na quarta-feira, a defesa de Henrique pediu a revogação da prisão preventiva, alegando que ele está há mais de 90 dias atrás das grades sem que a Justiça tenha analisado os seus recursos. Ao longo desse período, Henrique Vorcaro enviou pelo menos duas cartas a Mendonça se declarando inocente e dizendo que “corre risco” no presídio devido ao seu quadro de saúde. O pai do banqueiro sofre de problemas de pressão alta e diverticulite (inflamação no intestino grosso).
Cautela em meio à crise no Supremo
Em meio à crise deflagrada no Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito das investigações sobre o caso Master, a Polícia Federal passou a adotar cautela sobre ações futuras. No último domingo, o presidente da Corte, Edson Fachin, determinou que os processos fossem remetidos à Presidência do tribunal, em meio a questionamentos de viés político sobre a conduta do relator, André Mendonça.
Enquanto não há uma definição no STF sobre o destino do caso, a PF tem mantido a análise de documentos já coletados em fases anteriores da Operação, mas considera que novos pedidos, como quebras de sigilo ou diligências para buscas e apreensões, terão de esperar. A avaliação é que as demandas ficariam represadas, já que no momento o processo está sendo analisado pelo presidente da Corte, que não é o relator.
Os dois inquéritos do caso Master mais avançados até agora são o do esquema da “Turma” e da suposta propina paga aos servidores do Banco Central. Segundo investigadores, essas duas apurações devem ser finalizadas até novembro. E seriam as primeiras a trazer o indiciamento do dono do Master e de seu pai.
“Ambas as investigações se encontram em estágio avançado, pendentes apenas a conclusão das análises bancárias e o exame do material apreendido. As oitivas relacionadas aos fatos já foram iniciadas, com previsão de conclusão nos próximos 60 dias”, diz trecho de relatório da PF, assinado no dia 27 de agosto. As informações são do jornal O Globo.
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