Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de setembro de 2026
Em sua primeira manifestação pública depois da sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) de terça-feira (15), marcada por duros embates entre magistrados, o ministro Kassio Nunes Marques disse nessa quinta (17) que “não é preciso aumentar o tom para ser ouvido”.
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proferiu um discurso de despedida para o ministro Antônio Carlos Ferreira, que está na sua última sessão na corte eleitoral, e fez uma associação entre a personalidade do colega e a música brasileira.
“A música popular brasileira, especialmente a bossa nova, nos ensina que elegância é avessa ao excesso, que não é preciso aumentar o tom para ser ouvido, que a delicadeza e a gentileza também têm força e que, como disse Mozart, a música não está nas notas, mas no silêncio entre elas”, disse Kassio, que é aliado do ministro André Mendonça na correlação de forças do STF.
Kassio não participou da sessão do Supremo na terça, destinada a discutir as mensagens que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria enviado ao ministro Alexandre de Moraes, mas que acabou interrompida por pedido de vista.
O presidente do TSE se declarou impedido, alegando que, por ser o chefe da Justiça Eleitoral, não poderia participar de um julgamento que poderia ter impacto no pleito de outubro. O primeiro turno ocorre no próximo dia 4.
A decisão do ministro ocorreu depois que foram revelados, poucas horas antes da sessão realizada na terça-feira, diálogos extraídos do celular de Vorcaro. Nas conversas, eram mencionados pagamentos no valor de R$ 500 mil destinados a seu filho, o advogado Kevin Marques, o que antecedeu a decisão de Kassio de não participar do julgamento.
Ao declarar-se impedido, o ministro afirmou no STF que seu filho “nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco”. Kassio também declarou que jamais julgou qualquer processo relacionado ao Banco Master. Após fazer as declarações durante a sessão, o ministro deixou o plenário e não participou da votação.
O julgamento realizado na terça-feira foi marcado por discussões, bate-bocas e provocações entre os ministros, com momentos de maior tensão ao longo da sessão. O episódio de maior intensidade ocorreu quando Gilmar Mendes, aliado de Moraes, elevou o tom contra Mendonça e afirmou que o colega agia com desfaçatez. Mendonça também reagiu de forma exaltada e pediu respeito durante o embate. (As informações são da Folha de S.Paulo)
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