Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 26 de julho de 2018
Ao se encontrarem em Singapura no mês passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, atraíram a atenção do mundo e prometeram trabalhar por uma nova relação. Mas por que mensagens ambíguas por ambos foram emitidas depois da reunião? No fim do encontro, classificado como um “evento épico”, metas ambiciosas foram estabelecidas.
A Coreia do Norte reafirmou o compromisso com a “desnuclearização da península coreana”, enquanto os EUA disseram que iriam parar os “provocativos” exercícios militares com a Coreia do Sul. Desde então, as coisas parecem ter seguido um caminho tortuoso. Embora Pyongyang pareça ter começado a desmontar sua base de lançamento de mísseis, há relatos de que, secretamente, dê continuidade ao seu programa nuclear. Enquanto isso, a Coreia do Norte já acusou os EUA de táticas “semelhantes às de gângsteres”.
Por que, afinal, as coisas não estão progredindo?
Por que a Coreia do Norte parece blefar?
A notória capacidade da Coreia do Norte para atrair manchetes pode ter feito com que seu poder fosse superestimado. Parece que Pyongyang tem procurado disfarçar uma posição de relativa fraqueza ao se posicionar como uma força inabalável. O país classificou o encontro com os EUA como uma cúpula entre potências iguais.
Na verdade, segundo o ranking do Lowy Institute, a Coreia do Norte aparece em 17º lugar entre os 25 países que fazem parte de uma lista de potências asiáticas. O ranking faz uma avaliação em profundidade das potências regionais, contemplando poder militar, econômico e influência cultural.
A Coreia do Norte é um “poder fora do lugar”. Apesar da vocação recém-descoberta para ser um país com armas nucleares, continua a ser um estado fraco preocupado com a sua própria sobrevivência. Essa influência, que é desproporcionalmente dependente da força militar do país, pode torná-lo menos disposto a fazer concessões sérias do que os EUA e outros esperavam.
A Coreia do Norte pode ser uma das principais potências militares na Ásia, mas a ênfase do país está na quantidade, não necessariamente na qualidade. O 1,4 milhão de militares e paramilitares do país representa 8% da população em idade ativa. Apenas a China, a Rússia e a Índia têm, proporcionalmente, mais efetivo que os norte-coreanos nas Forças Armadas.
A título de comparação, a Coreia do Sul, que tem uma população duas vezes maior que a da Coreia do Norte e serviço militar obrigatório, tem metade do efetivo nas Forças Armadas. Pyongyang tem ainda uma grande quantidade de números de tanques de guerra e sua Marinha mantém uma frota de cerca de 70 submarinos – ainda que obsoletos.
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