Segunda-feira, 05 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 11 de março de 2020
Na noite dessa quarta-feira, a SES (Secretaria Estadual da Saúde) do Rio Grande do Sul confirmou oficialmente que Porto Alegre já tem dois casos de infecção por coronavírus. O mais recente envolve uma jovem de 19 anos, com exame positivo atestado pelo Lacen (Laboratório Central do Estado), enquanto o outro é o de uma mulher de 54 anos. Ambas estiveram na Itália recentemente.
A paciente mais velha teve a sua situação detalhada, pela manhã, em uma coletiva de imprensa com autoridades municipais e estaduais na sede da prefeitura. Residente na capital gaúcha, ela retornou de uma visita à região italiana de Bergamo em 6 de março e, já no dia seguinte, passou a apresentar sintomas da doença, tais como febre, tosse e dor no corpo.
Ao ser notificada sobre a situação, a SMS (Secretaria Municipal de Saúde) realizou coleta sem que a paciente sair de casa. Conforme o órgão, o quadro não é grave e já apresenta melhora. Uma filha que a acompanhou à Itália está sob suspeita, já cedeu material para exame pelo Lacen (Laboratório Central do Estado) e aguarda o resultado. Um casal que estava no mesmo voo também vem sendo monitorado.
No caso da jovem de 19 anos, a conta da SMS no Twitter informou que ela esteve no país europeu no período entre 21 de janeiro e 9 de março. Ela já desembarcou na capital gaúcha com sintomas compatíveis (febre, tosse, coriza, dor de garganta, cefaleia e fraqueza) e procurou atendimento, passando então por exames.
Manifestações
O anúncio sobre a paciente de 54 anos foi feito durante a manhã dessa quarta-feira no Salão Nobre do Paço Municipal (Centro Histórico) pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior, junto com o secretário municipal de Saúde, Pablo Stürmer, e a titular da pasta estadual do setor, Arita Bergmann. Para o chefe do Executivo, trata-se de um fato emblemático para a cidade:
“O primeiro caso registrado na Capital seguiu todos os procedimentos corretos. A paciente procurou seu médico, que notificou a vigilância sanitária, que por sua vez fez a coleta domiciliar da amostra, sem permitir que ela ficasse circulando de um sistema a outro”.
Já Stürmer frisou que esses protocolos permitem que o vírus chegue de maneira gradual e não abruptamente à cidade, “contribuindo assim para que o sistema se habitue aos casos registrados”. Ainda segundo ele, seguir as orientações da autoridades é fundamental para que o vírus continue sem circular em Porto Alegre.
Já Arita Bergmann garantiu que o governo do Estado seguirá atuando com transparência e respeito às instituições na divulgação dos casos: “Ao menos 160 casos já foram descartados no Rio Grande do Sul. Temos agora 50 suspeitos e dois confirmados”.
Também na noite dessa quarta-feira, a SES confirmou mais um caso de infecção por coronavírus no Rio Grande do Sul. Trata-se de um homem de 42 anos, residente em Caxias do Sul (Serra Gaúcha). Um outro, envolvendo um idoso de 60 anos que mora em Campo Bom (Vale do Sinos) e teve confirmação oficial nesta semana, já estaria curado, segundo autoridades municipais e estaduais.
Durante a coletiva, que também contou com a presença do diretor-geral de Vigilância em Saúde, Anderson de Araújo Lima, e da chefe da Divisão Epidemiológica do Estado, Tani Ranieri, foram atualizados outros dados e informações a respeito de situações suspeitas envolvendo o coronavírus.
Atualmente, Porto Alegre tem 132 casos analisados, dos quais 38 suspeitos, 77 descartados, dois confirmados e 15 excluídos, conforme a Equipe de Vigilância das Doenças Transmissíveis da SMS.
Orientações
– Pessoas com histórico de viagem ao exterior devem ficar atentas a sintomas respiratórios, febre e falta de ar entre 16 e 18 dias do retorno. Em caso de sintomas, a orientação é procurar atendimento médico onde habitualmente consulta, seja na unidade de saúde de referência ou em consultório particular, preferencialmente com o uso de máscara, cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir, utilizar lenço descartável para higiene nasal e restringir os locais de circulação.
– No atendimento, o paciente receberá orientações de isolamento domiciliar, e será agendada visita de equipe de saúde para coleta de secreção e envio ao Lacen, com o objetivo de confirmar o caso e conter a transmissão da doença.
– Ao identificar um caso suspeito de infecção por coronavírus, o médico que faz o atendimento deve fornecer o atestado, por ser uma medida de emergência em saúde pública, e orientar quanto ao isolamento domiciliar, ou seja, a pessoa deve ficar em casa e restringir visitas, de preferência utilizando poucos cômodos.
– O profissional deve notificar o caso à Diretoria-Geral de Vigilância em Saúde, que irá providenciar a visita para coleta da secreção e encaminhamento ao Lacen. Familiares devem usar máscara e adotar higienização das mãos e limpeza de superfícies de alto toque, como maçanetas, sempre que tiverem contato com o paciente, que também deve usar máscara caso entre em contato com outras pessoas.
(Marcello Campos)
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