Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 28 de abril de 2021
O estado de emergência decretado em Portugal no maior nível de alerta por conta do coronavírus acaba nesta sexta-feira (30), anunciou o presidente do país, em meio a uma queda brusca no número de infecções e preparativos para afrouxar um rígido lockdown imposto há mais de três meses.
Declarado em meados de janeiro para combater o que era então a pior alta do planeta em número de infecções, o estado de emergência permite que o governo imponha medidas duras para suspender direitos e liberdades da população.
“Sem o estado de emergência, é necessário manter ou adotar todas as medidas essenciais para evitar retrocessos”, disse o presidente Marcelo Rebelo de Sousa em um pronunciamento televisionado na terça (27). “Se for necessário, eu não hesitarei em declarar novo estado de emergência.”
Portugal fará a transição para o estado de “calamidade”, que permite que o governo imponha algumas medidas para reduzir o risco de contágio, mas as regras que podem ser decretadas são mais limitadas e precisam ser justificadas.
Situação
De campeão de mortes e casos na União Europeia a único país sem mortes por covid-19 em 24 horas na região. Portugal viveu dois extremos durante esta pandemia em um curto espaço de apenas três meses.
Na terça, a Direção-Geral de Saúde de Portugal, órgão ligado ao ministério da Saúde do país, registrou em seu boletim 196 novos casos de covid-19 no período de um dia e zero mortes.
O país de 10 milhões de habitantes acumulou mais de 834 mil casos e 16 mil mortes por coronavírus desde o começo da pandemia.
Há três meses, Portugal liderava em número de casos e mortes no bloco europeu.
Nas últimas duas semanas de janeiro, Portugal havia registrado a taxa de infecção por covid-19 mais alta da União Europeia (UE): 1.429,43 por 100 mil habitantes, segundo os dados do Centro Europeu para a Prevenção e controle de Enfermidades. O país também tinha a taxa de mortalidade mais elevada da UE: 247,55 por milhão de habitantes.
O médico brasileiro Marcelo Matos disse na época que Portugal vivia um “tsunami” e era um “barril de pólvora”, devido a alta proporção de idosos e fumantes na população.
Agora esses números desabaram — a incidência da doença caiu de 1,4 mil para 67 para cada 100 mil habitantes — e o país vive um momento de otimismo e reabertura.
O presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, Henrique Barros, disse nesta semana em uma conferência sobre a pandemia que “se tudo correr normalmente”, Portugal pode não ter mais casos de coronavírus a partir de setembro.
“Por setembro, se tudo correr normalmente, esperamos não ter casos”, disse ele, ressaltando que é preciso manter o atual plano de vacinação.
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