Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020

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Esporte Presidente do Santos afirma que o contrato de Robinho só será rescindido em caso de condenação definitiva

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O presidente do Santos, Orlando Rollo, convocou uma entrevista coletiva virtual para falar sobre assuntos do clube. (Foto: Reprodução)

O presidente do Santos, Orlando Rollo, convocou uma entrevista coletiva virtual para falar sobre assuntos do clube. Entre eles, a suspensão do contrato de Robinho. O dirigente não conseguiu deixar clara sua posição sobre o caso. Certo apenas é que, até o resultado do julgamento em segunda instância pela participação num estupro coletivo (marcado para dezembro), o acordo com o clube paulista seguirá em modo de espera.

“Já formalizamos ao Conselho Deliberativo essa licença do contrato do Robinho. Se o Robinho vier a ser absolvido em segunda instância, não vejo problema nenhum em voltar. Se for condenado, vamos pedir a rescisão do contrato”, disse Rollo.

O dirigente definiu a suspensão como uma licença para que Robinho possa se defender. Esta decisão, entretanto, só foi tomada após forte pressão dos parceiros comerciais do clube diante das revelações sobre o caso feitas pela reportagem do globo.esporte. O contrato será discutido na noite desta quarta pelo Conselho Deliberativo, já que o estatuto define que qualquer contratação ou venda realizada a menos de 90 dias da eleição precisa passar por aprovação do órgão.

Ficou nítida, contudo, a dificuldade do dirigente em fazer qualquer avaliação sobre o caso. Rollo tentou se manter entre o reconhecimento de que ficou incomodado com o conteúdo dos áudios anexados no processo e o pedido para que Robinho não seja tratado como culpado antes do julgamento em segunda instância.

“Não vou entrar no mérito se é culpado, inocente. Não sou ninguém para julgá-lo. Ele tem de ser julgado pelo juiz na Itália. Temos de apedrejar menos e ter mais tolerância”, disse Rollo, que lembrou de sua atuação enquanto policial ao longo de 18 anos.

“Eu já fiz muito, na minha carreira, porque sou policial. Eu abomino o crime de estupro. Abomino qualquer tipo de violência, qualquer tipo de violência sobre as mulheres. Nos meus 18 anos de polícia, já prendi dezenas de estupradores. Já investiguei dezenas de estupradores. Já levei à condenação dezenas de estupradores. Então, eu efetivamente luto contra esse crime, inclusive um caso que ficou muito conhecido em Santos, o do Maníaco do Ônibus, que atacava mulheres nos ônibus, fui eu que prendi.”

O repúdio ao crime de estupro, contudo, dividiu espaço com a preocupação com uma possível injustiça no julgamento de Robinho. Rollo chegou a dizer que “podemos estar diante de um novo caso da Escola Base”.

Ele se refere ao episódio ocorrido em 1994, quando quatro pessoas, entre eles os proprietários da instituição, foram acusados de abuso sexual contra alunos. Este caso virou objeto de estudo nas faculdades de jornalismo após descobrir-se que a cobertura parcial da imprensa influenciou na atuação do delegado. O processo foi arquivado, mas o abalo na reputação dos acusados nunca foi consertado.

“Os áudios são graves? Gravíssimos! Fiquei incomodado? Sim, fiquei muito incomodado. O atleta e sua defesa alegam que alguns áudios foram traduzidos do português para o italiano de maneira equivocada e outros foram tirados de contexto”, afirmou o presidente santista. “A sentença é volumosa, com centenas de laudas, e temos de ter opinião após analisar o processo todo. Eu tenho total desprezo por aquilo que foi dito naqueles áudios. Eu realmente me senti incomodado, mas não podemos antecipar julgamentos. Quem sou eu para julgar alguém?”, completou.

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