Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 29 de março de 2021
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi forçado a pedir demissão depois que sua permanência no cargo ficou inviabilizada. O pedido ocorre após pressão de parlamentares, inclusive dos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).
A situação política de Ernesto vinha se deteriorando nos últimos dias. No Congresso, a avaliação é a de que a atuação do ministro isolou o Brasil no cenário internacional e prejudicou a obtenção de doses de vacina contra a Covid-19.
Na última quinta (25), o próprio líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), disse que “Ernesto Araújo não tem ambiente” para negociar ajuda internacional ao Brasil para acelerar a chegada de vacinas.
O último episódio ocorreu no fim de semana, quando Ernesto se envolveu em um atrito com a senadora Kátia Abreu (PP-TO). O ministro escreveu em uma rede social que, em um almoço no início de março, a senadora, presidente da comissão de relações exteriores, lhe disse que ele seria o “rei do Senado se fizesse um gesto em relação ao 5G”.
A declaração de Ernesto sobre a senadora foi vista como desespero por senadores, uma tentativa de tirar o foco da pressão por sua demissão.
Kátia Abreu respondeu a postagem do ministro e disse que é “uma violência resumir três horas de um encontro institucional a um tuíte que falta com a verdade”. Vários senadores prestaram solidariedade a Kátia Abreu, e o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), criticou a fala de Ernesto, a qual chamou de “cortina de fumaça”.
Nesta segunda-feira (29), os parlamentares que se manifestaram sobre a saída de Ernesto Araújo foram unânimes em afirmar que o chanceler não tinha mais condições de prosseguir no cargo. No último dia 24, Ernesto Araújo esteve no Senado para tratar das dificuldades enfrentadas pelo Brasil na aquisição de vacinas contra a covid-19. Na ocasião, os senadores apontaram a responsabilidade do Itamaraty pelo atraso no acesso a vacinas e insumos vindos de outros países. Eles também cobraram gestões diplomáticas para acelerar a obtenção de imunizantes contra a covid-19 e pediram a renúncia do ministro.
Araújo compareceu ao debate acompanhado de Filipe Martins, assessor internacional do Palácio do Planalto. Durante a sessão remota, o assessor fez um sinal com as mãos considerado ofensivo pelos senadores, pois reproduz um dos símbolos de ódio utilizados por grupos de extrema direita e supremacistas brancos dos EUA. O episódio segue sob investigação do Senado.
Nesta segunda-feira (29), o líder da minoria no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN), disse que o agora ex-ministro das Relações Exteriores é uma “catástrofe diplomática”. No entanto, o senador também alega que a culpa da falta de vacinas para o país é de responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro, e que Ernesto Araújo estaria servindo como “bode expiatório”.
“A fritura do ministro das Relações Exteriores é evidente. Ele foi escalado como culpado da hora pelo atraso e pela ausência de vacinas no país. Que Araújo é uma catástrofe diplomática, ninguém nega. Mas ele é o bode que colocaram na sala para que outros não paguem o pecado a ser expiado. Se o Brasil não tem vacinas, o responsável é Bolsonaro. Foi ele quem sabotou a negociação das vacinas com países produtores e laboratórios”, declarou Jean Paul.
Pelas redes sociais, o senador Jaques Wagner (PT-BA) informou que entrou, junto com os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Fabiano Contarato (Rede-ES), com uma representação no Ministério Público Federal para que Ernesto Araújo explique sua omissão diante da pandemia e por que não se empenhou para conseguir vacinas para o país enquanto era ministro.
“Como o chanceler bem declarou durante audiência no Senado, não há nenhum problema diplomático entre o Brasil e os outros países fabricantes de vacina. Assim, não há explicação para que ele não tenha buscado, com urgência e antecipação, negociações para trazer vacinas ao país”, argumentou Jaques Wagner. As informações são do portal de notícias G1 e da Agência Senado.
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