Segunda-feira, 20 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 19 de julho de 2026
Na avaliação do Banco Central, a expansão das políticas fiscal e de crédito promovidas pelo governo aumenta o risco de pressão sobre a demanda agregada e dificulta a continuidade do ciclo de redução dos juros.
Em junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, mas afirmou que seguirá conduzindo a política monetária com “serenidade e cautela” diante do aumento das incertezas.
O governo contesta essa leitura. No segundo dos dois estudos elaborados para embasar o pacote, a equipe econômica sustenta que a piora das expectativas de inflação observada desde março de 2026 decorre principalmente de fatores externos e climáticos, e não da expansão do crédito.
Entre os fatores apontados estão o conflito no Oriente Médio, que pressionou os preços da energia e dos fertilizantes, a piora das perspectivas para o El Niño e a alta dos alimentos in natura e das carnes.
Em entrevista ao Estadão, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, reforçou esse diagnóstico. “Quando variaram as expectativas de inflação dos agentes econômicos, uma parte foi atribuída ao regime fiscal, mas também à questão climática, à expectativa do El Niño e ao choque do petróleo. Não concordo que a gestão fiscal seja o principal ou o único fator para explicar os juros elevados.”
Na avaliação do governo, o efeito dos programas de crédito se espalha por toda a cadeia produtiva. O aumento da produção gera emprego, renda e arrecadação, estimulando novas rodadas de consumo e atividade econômica.
A equipe econômica argumenta ainda que os programas têm natureza de despesa financeira e, por isso, não afetam nem a meta de resultado primário nem o limite de gastos previsto no arcabouço fiscal.
O estudo conduzido pelo governo afirma que o custo efetivo dessas operações corresponde apenas ao subsídio implícito e às perdas esperadas com inadimplência. O valor total dos financiamentos, segundo o governo, constitui um ativo da União, já que os recursos serão devolvidos pelos tomadores dos empréstimos.
O governo também defende o uso de fundos públicos para financiar o pacote. Segundo a equipe econômica, esses recursos são vinculados por lei às respectivas finalidades e sua utilização para amortizar a dívida pública teria efeito “bastante limitado” sobre o endividamento bruto no curto prazo.
Outro ponto de divergência envolve o uso de fundos públicos para financiar as operações de crédito. Ao analisar esse mecanismo, o Tribunal de Contas da União (TCU) criticou a utilização desses recursos sem registro integral no Orçamento e sem divulgação completa dos impactos fiscais, classificando a prática como um processo de “desorçamentação”.
Entre as medidas mais onerosas está o Move Brasil, programa de financiamento para motoristas de aplicativo e taxistas adquirirem veículos novos. A iniciativa consumiu R$ 30 bilhões.
Como se trata de uma despesa financeira, a operação fica fora tanto do limite de gastos do arcabouço fiscal quanto da meta de resultado primário. Ao todo, R$ 128,3 bilhões do pacote correspondem a despesas dessa natureza.
Para financiar os programas, o governo utilizou recursos livres do Orçamento, reduzindo o espaço para outras despesas, e também recorreu ao Fundo Social, criado originalmente para financiar políticas em áreas como Saúde e Educação.
Do total mobilizado, R$ 79,3 bilhões virão de recursos livres do Orçamento, incluindo superávits de exercícios anteriores. Outros R$ 48 bilhões serão financiados pelo Fundo Social.
Há ainda valores menores provenientes de fundos cujos recursos foram desvinculados, como os da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, da Receita Federal e de fundos destinados à ciência e tecnologia. Com informações do portal Estadão.
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