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Geral Protestos de agricultores se espalham pela Europa; Bélgica tem dia violento

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Os agricultores querem medidas para reduzir os impostos e as regulamentações no bloco. (Foto: Reprodução)

Os protestos de agricultores estão se espalhando dia após dia na Europa. Um grupo jogou ovos e pedras no Parlamento Europeu em Bruxelas, na Bélgica, na quinta-feira (1º). Eles colocaram fogo perto do prédio e soltaram fogos de artifício ao exigirem que os líderes da União Europeia (UE) façam mais para ajudá-los com impostos e custos crescentes. Houve confronto entre manifestantes e policiais.

As queixas dos agricultores em todo o continente incluem o fato de serem sufocados por regras ambientais, impostos, custos crescentes e concorrência desleal do exterior.

“Está acontecendo em toda a Europa, então vocês devem ter esperança”, disse Kevin Bertens, um agricultor dos arredores de Bruxelas, nos protestos na capital belga. “Vocês precisam de nós. Ajudem-nos!”

Na França, os dois principais sindicatos agrícolas franceses pediram, na quinta-feira, a suspensão dos bloqueios pelo país, embora salientem que não significa a paralisação do movimento, mas uma “transformação”. As manifestações continuaram pelo 14º dia consecutivo, apesar das concessões da Comissão Europeia e das cerca de 100 pessoas presas no país em decorrência dos protestos. Na Espanha, os sindicatos agrários mais importantes decidiram, na terça-feira, que voltarão às ruas para exigir um plano de ação. E, na quinta, Portugal também aderiu ao movimento.

Na França, os agricultores exigem preços mais justos para os produtos, a continuação dos subsídios para o diesel agrícola (usado em tratores e outros veículos) e ajuda financeira para agricultores orgânicos, denunciando, entre outros pontos, o acordo negociado entre a União Europeia e os países do Mercosul. Segundo o jornal francês Le Monde, o primeiro-ministro Gabriel Attal apresentou as medidas por volta do meio-dia desta quinta e reafirmou sua posição contrária ao bloco.

O presidente dos Jovens Agricultores (JA), Arnaud Gaillot, afirmou que, “em vista de tudo o que foi anunciado, conclamamos nossas redes […] a suspender os bloqueios e a empreender uma nova forma de mobilização.” A declaração foi feita ao lado do líder do FNSEA, Arnaud Rousseau. O presidente do FNSEA disse que a categoria foi “ouvida em certo número de pontos, com progressos tangíveis”, mas salientou que ainda “há coisas que não estão lá e que precisarão ser esclarecidas.”

“A ação não termina, ela se transforma”, disse Russeau, citado pelo jornal francês Le Monde.

Gaillot, também citado pelo jornal, afirmou que “a partir de segunda-feira”, eles começarão a “trabalhar nas prefeituras, nos ministérios, para colocar em prática todos os pontos que foram anunciados, para ver como os implementaremos, como garantiremos que eles realmente se concretizem no campo”. E advertiu: “não hesitaremos em entrar em um movimento de mobilização geral se esses pontos não forem atendidos”.

Ainda na quinta, até mil tratores ocuparam avenidas em Bruxelas horas antes de uma cúpula dos 27 países da UE, informou a polícia belga. Embora os líderes europeus tenham discutido principalmente o pacote de ajuda à Ucrânia, o descontentamento no campo também já se infiltrou na agenda. Nas manifestações ocorridas nas últimas semanas na Europa, foram utilizados argumentos diferentes. Mas todos concordam que há uma ira contra a “incoerência das políticas europeias”.

Um dos principais pontos de tensão é o acordo que a UE e o Mercosul negociam há quase 20 anos e que, segundo os agricultores, prejudicaria diretamente o setor na Europa. O ministro da Economia francês, Bruno Le Maire, destacou a disposição de Paris em travar uma “batalha” com a Comissão Europeia contra a assinatura do acordo em sua forma atual. Líder da maior federação patronal da França, porém, Patrick Martin apoiou o acordo, ainda que tenha defendido “verificar” se os países envolvidos respeitam “um mínimo” de regras ambientais e sociais. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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